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sábado, 28 de outubro de 2023

Jardim todo o ano - Outubro

Com o mês de outubro prestes a terminar, ganhei finalmente coragem para escrever algumas linhas sobre a horta/jardim dentro do tema “jardim todo o ano”.
O mais marcante deste mês foi, e é, sem dúvida, a mudança climática, com dias frios e muita chuva, em semanas inteiras. Isto, mais do que novidades, trouxe falta delas, ou por inatividade do jardineiro, ou por fraco desenvolvimento das plantas.
No jardim reinaram as dálias, com os crisântemos a fazerem-lhe concorrência no final do mês. As roseiras não podem ser esquecidas! Com uma manutenção cuidada ao nível do corte das flores mortas, elas mantêm-se em floração durante muitos meses. Curiosamente as rosas ganharam novas colorações e até alteração de formato, desde que o tempo fresco chegou. Às gazânias faltou o sol, embora tenham botões e folhas bonitas. O mesmo aconteceu às Margaridas-do-cabo e às Onze-horas. 
Ao longo do mês a Anémona-do-Japão (Anemone hupehensis ou Eriocapitella hupehensis) foi a novidade. Embora seja só um pequeno pé, deitou mais de uma dúzia de flores. Mereceu muitas fotografias, não só pela novidade, mas também pela beleza das flores. Não houve um dia só que eu não a visitasse. Também a salva-ananás floriu durante este mês. Tal como a salva (normal) é um arbusto que pode atingir um metro de altura, com caules que vão progressivamente ficando lenhosos. Todos os anos a corto rente à terra, mas rebenta, com bastantes hastes e durante o mês de outubro enche-se de flores vermelhas. Dizem que atrai os beija-flores, mas não temos disso em Portugal! O nome salva-abacaxi/ananás vem-lhe do aroma que liberta. Já mastiguei algumas folhas, mas não senti nada de agradável (nem desagradável). Não sou louco, as folhas são comestíveis e têm vários ácidos usados no fabrico de óleos. Também são usadas na medicina tradicional de alguns países (ansiedade e hipertensão). As possibilidades de utilização desta planta são muitas: “A salva ananás é um excelente aromatizante para bolos e doçaria, refrescos, batidos, saladas, gelados e licores. Esta erva aromática também combina com carne de porco, pato e legumes. As flores da salva ananás são comestíveis e combinam em saladas.” O nome científico é Salvia elegans e já tenho ouvido chamar-lhe “salva de jardim”. Há outras salvas, bastante semelhantes (por exemplo Salvia microphylla) que são bastante usadas em jardinagem, nomeadamente em jardins públicos.
O mês de outubro também foi marcado pela aparição de muitas plantas bolbosas, que durante o verão estiveram camufladas: torrões-de-açucar, anêmonas, frésias, esparaxis, tritónias, babianas, ranúnculos, ixias, etc.
Outras plantas alegraram outubro com flores: Argyranthemum, Campanula portenschlagiana, Solanum rantonnetii, Tagetes, Petúnias (sim, resistentes ao frio), Scabiosa, sécias, Antirrhinum e mesmo alguns gerânios. 
Nas árvores de fruto o mês foi de acalmia. As de folha caduca começam agora a perder a folha, mas muito lentamente. O limoeiro deu flores, a tangerineira perdeu alguns frutos, o diospireiro brilhou! Nunca o diospireiro conseguiu levar até ao fim tamanha quantidade de frutos! São tantos que tive medo que os frágeis ramos partissem. A árvore é jovem (cerca de 5 anos) e não chega a dois metros de altura. São diospiros de roer, típicos desta época. Temos comido frutos diariamente mas a maioria ainda está na árvore. Os pássaros cedo os descobriram e também têm aproveitado. Este será um ano memorável em cerejas, nectarinas, maçãs, peras, uvas e diospiros. Ainda é mais surpreendente pelo facto de eu não fazer qualquer tratamento fitossanitário! Este ano nem enxofrei as videiras!
Abati quase todos os pés de fisális. Crescem como “castanheiros” e já estavam a abafar o limoeiro, que até nem é das plantas mais fáceis de vencer. Continuo ter alguns frutos e muitas, muitas flores. Esta é uma espécie que nasce em quantidade em todo o espaço da horta, graças aos frutos verdes que vão parar à compostagem.
Na horta houve poucas novidades. A maioria das culturas entrou no outono como se de verão se tratasse. Tomateiros, beringelas, pimenteiros, pepineiros, acelgas, beterrabas, pimentas, alfaces, tudo parecia estar “na paz do Senhor”! De repente faltou-lhe o sol e apanharam vários encharcamentos, porque a chuva foi muita. É a época das nabiças e das couves de penca. Como a horta estava bonita, sobrou pouco espaço para estas duas culturas. Têm tido alguma dificuldade em se desenvolverem principalmente por causa dos pássaros e das lagartas que gostam das suas tenras folhas. Continuamos a colher tomates, pepinos, pimentos, caldo-verde, … só as alfaces têm faltado, por crescimento insuficiente.
Na horta, este ano, um dos destaques vai para as pimentas (por mim chamadas malaguetas). Semeei 5 variedades e comprei plantas de uma sexta. Tem sido um divertimento, colher, provar e tentar conservar a produção conseguida até agora (ainda estarão a meio da produção). Tenho provado as pimentas à dentada, para arrepio dos restantes membros da casa. Tenho comido os Jalapeno (pimenta carnuda e suculenta) na salada, tal como faço com o tomate, pepino e pimento. São ótimos e o ardor mínimo. Já fiz picles e várias misturas com base em azeite (de produção própria) e algumas plantas aromáticas. A base tem sido a experimentação e começo a ficar preocupado com o próprio entusiasmo. Contatei um amigo, que julguei apenas curioso na matéria, que já me mandou uma lista com 58 pimentas diferentes(!), para ou dizer as sementes que quero para sementeira no próximo ano! Coitadas das suculentas, será que é desta que vão passar para segundo plano?!
Nas aromáticas não há novidades. Algumas produções têm ido para a compostagem, porque, mesmo a secar e guardar, e a distribuir por colegas, amigos e vizinhos, a hortelã, hortelã-pimenta, cidreira, salva, salsa, alecrim e poejos têm sido em excesso.
Não têm sido fácil manter vivos os orégãos que consegui no verão. Tive receio de os plantar no chão e que eles se espalhassem descontroladamente, mas, nem no chão, nem em vaso, estão com grande cara.
O levístico deu grande quantidade de sementes. Espero que não tenha o mesmo comportamento da salsa, que nasce mais do que as ervas daninhas!
Cortei as alfazemas tarde e de forma muito radical. É possível que alguns pés não sobrevivam. Também estou com vontade de cortar o loureiro antes que se forme uma grande árvore. Tenho tentado obter outra planta com estacas, em vaso, mas não tive sucesso até agora.
Durante o mês de outubro foram as suculentas que me deram mais trabalho. Muitos vasos e floreiras já foram “montados” há alguns anos e precisaram de manutenção. Também tive um ataque sem precedentes de larvas. Contrariamente àquilo que é recomendado, uso substrato universal para as suculentas. Inicialmente juntava bastante areia, mas o meu stock já terminou faz tempo. Substratos ricos em matéria orgânica e muita humidade são fatores atrativos para os insetos que fazem as suas posturas nos vasos. O mais provável é tratar-se de gorgulho da videira (Otiorhynchus sulcatus). Já tenho encontrado os insetos adultos, mas o problema está nas larvas que se alimentam das raízes e caules das suculentas até causarem a sua morte. As Echeverias são as que mais sofrem. Comem o caule até ao olho, não havendo possibilidade de salvação, caso não seja detetado quando a planta ainda tem alguns cm de caule.
Podemos “sentir” se as plantas estão saudáveis agarrando-as por uma folha e puxando. Se a planta se liberta do solo e não têm raízes, possivelmente temos esse problema e, no mínimo temos que arrancar tudo e substituir o substrato. Curiosamente não tocam nas raízes das plantas de alguns Géneros botânicos! Nunca tive um problema tão grave como este ano.
Os verões são épocas críticas para os Aeonium. Não gostando nós de os ver ressequidos, temos tendência para os regar, matando-os. Por isso é com satisfação que vemos chegar o outono, pelo menos no que toca a Aeonium. Se sobreviveram, despertam e entram em atividade. O Starburst está quase extinto (com pena minha), mas tenho meia dúzia de espécies novas, que me estão a dar muito entusiasmo. Durante o mês de outubro puseram-se bonitos, não os largo nem um minuto!
Outubro também é o mês das Greenovia. Passei o verão preocupado e aos primeiros sinais de mudança apresso-me a fazer propagação, às vezes usando rosáceas menores do que um grão de milho. Planto Greenovia por todos os vasos e floreiras. Algumas não sobrevivem, mas, por norma elas agarram-se à vida e tornam-se bonitas plantas, tendo um crescimento proporcional ao espaço que lhe destinamos. Eu destino-lhe sempre pouco.
Nas mudanças de substrato sobram sempre plantas. Tenho distribuído mudas no meu local de trabalho, para não aumentar o número de vasos (ou de latas). Fico deprimido quando vejo ir algum rebento para a compostagem, mas dou comigo a catar as folhas de algumas espécies, simplesmente para que não caiam de deem novas plantas. Por exemplo a Graptoveria titubans, se não apanhamos a folhas e as pusermos na compostagem, em pouco tempo ficaremos com centenas e centenas de plantas dessa espécie. 
Alguns dos meus “arranjos” passaram maus bocados durante o verão. Não pela seca, mas porque sempre que saí por alguns dias os encerrei na churrasqueira para que os melros não os desfizessem. Tenho tentado recuperá-los, esperando que o musgo cresça e as plantas ganhem de novo forma agradável.
Por falar em melros, eles continuam a rondar o casa, mas eu já não os deixo dormir no jardim. Alterei os meus hábitos e desde Agosto que me levanto antes do nascer do sol. Já têm feito estragos enquanto vou à casa de banho, ou tiro um café! Já não aprecio o nascer do sol, ou tomo o pequeno-almoço na rua. Já faz frio. Mas tenho conseguido minimizar os estragos, que aconteciam mais frequentemente ao raiar do dia. 
O que nós não fazemos pelas nossas plantas!...

sábado, 30 de outubro de 2021

Jardim todo o ano

Uma área do jardim com uma estátua, rochas e hera
Ter um jardim é um sonho de muitas pessoas e ter um jardim bonito todo o ano é o sonho de todos os que têm jardim. Quando tive oportunidade de concretizar o meu sonho, ter um jardim, uma das preocupações foi o de tentar ter um espaço e plantas que me proporcionassem prazer durante todos os meses do ano. 
Na minha casa de infância sempre houve jardim, inicialmente constituído por um conjunto de cântaros, caldeiros, panelas e outros recipientes que se iam estragando. Apesar da humildade das coisas ainda hoje recordo as espécies e devo ter algumas plantas que tiveram origem nessas que a minha mãe cultivava há mais de 50 anos. Casei com uma mulher que gosta de plantas. Deu para perceber isso no pouco tempo de namoro que tivemos. A vivermos em casas alugadas durante cerca de 25 anos, mais de meia dúzia de casas, sempre tivemos plantas, aquelas que era possível ter. 
Preparação da área das aromáticas


Quando em 2016 comecei a planear um pequeno jardim, digno desse nome, todo o gosto que sempre tive por plantas foi posto à prova e construí o nosso jardim, discutível, mas o mais bonito de todos. Uma das preocupações foi que fosse jardim o ano inteiro.
Os gostos são muito próprios e cada um só sabe do que gosta depois de conhecer e de apreciar muitos jardins, construindo uma imagem mental daquilo que deseja para si, juntamente com o que pode ter. Eu sabia que queria um jardim repleto de espécies, algumas autóctones, rochas, canteiros de fácil acesso, áreas distintas, alguns elementos românticos e sem relva. Gosto de relva, mas exige espaço que não tenho. O jardim seria também um espaço para as aves e insetos. Pensei também em reservar terreno para algumas árvores de fruto e uma pequena horta.
Berberis (Berberis thunbergii atropurpurea)

Como a maioria das plantas vive ao ritmo das estações e é fácil escolher plantas que alindam qualquer jardim em determinada estação, um cuidado a ter é plantar espécies que fiquem todo o ano, fazendo a transição das estações e ajudando a preencher o espaço no inverno, altura em que há menos cor. Preenchem esta característica as árvores e arbustos de folha persistente. Não optei pelas árvores, por uma questão de espaço, mas a oliveira, o sobreiro, o medronheiro (é arbusto), o abeto, o teixo, são algumas das espécies que gostava de ter. Optei por espécies mais baixas mas que mantêm a folha todo o ano: alfazemas, alecrim, buxo, hebes, berberis (Berberis thumbergii), cotoneaster, azevinho (Ilex aquifolium), carqueja (Pterospartum tridentatum), urzes, evónimo, jasmim, arruda (Ruta graveolens), artemisia, hera, grevílea (Grevillea robusta), santolina (Santolina chamaecyparissus), etc. Duas caraterísticas importantes, além da folha perene, são a cor da folhagem e a produção de bagas para as aves.  A santolina e a alfazema são prateadas. O berberis (Berberis thunbergii atropurpurea) é de folha caduca mas tem a folhagem completamente vermelha. As hebes podem ter várias cores, bem como os evónimos. O azevinho, o medronheiro (Arbutus unedo), os cotoneaster produzem frutos, bagas, que servem de alimento às aves. Os cotoneaster que tenho estão todo o ano com frutos vermelhos. A piricanta (Pyracantha coccinea) também é uma boa opção para fazer sebes, formar a planta pela poda (topiária) e produção de bagas, mas não tenho esta espécie.
Gerânios


Depois de termos um conjunto de plantas base, é mais fácil pensar nas espécies que alegram cada uma das estações. Nos primeiros anos, pensei em fazer um jardim rápido, recorrendo mais a plantas da época, compradas, mas que punham o jardim bonito rapidamente, Estão neste campo as prímulas, as petúnias, as verbenas, os amores-perfeitos, etc. Agora que já passaram 5 anos as plantas compradas são cada vez menos.
A partir de fevereiro há muitas espécies, muitas delas em bolbos, que alegram o jardim, e na primavera e verão não há dificuldade de escolha. A dificuldade está no outono e inverno, uma vez que vivo numa região com invernos frios e verões escaldantes (“nove meses de inverno e três de inferno” que estão a dar lugar a “três meses de inverno e nove de inferno”). Para o início do outono podemos apostar em beladona, dálias, verbenas, amores-perfeitos, margaridas-do-cabo, crisântemos, begónias (de flor), Ciclâmen e ainda temos muitas rosas, bocas-de-lobo e calêndulas. No inverno os amores-perfeitos, as prímulas, e já são capazes de apareceras primeiras anêmonas, que são fantásticas na forma e nas cores. 
Em fevereiro é um mundo que desperta. Os bolbos de inverno começam a mostrar as suas flores: crócus, narcisos, jacintos, tulipas, etc. Inicia uma época fantástica que se prolonga até aos finais de agosto. 
Tulipas

As espécies mais representativas no meu jardim são as roseiras, lírios, gladíolos, frésias, ixias, margaridas-do-cabo, cravos-dos-poetas, gazânias, gerânios, hidrângeas, crisântemos e amores perfeitos. As plantas que não consigo manter, ou reproduzir por mim próprio, desapareceram do meu jardim. É o caso das petúnias, boninas e algumas verbenas.
As árvores de fruto seguem o seu ritmo bem marcado. Também elas podem ser estudadas para cobrirem todo o ano. Neste momento tenho frutos no diospireiro, na tangerineira e o limoeiro. Também tenho um pessegueiro, uma cerejeira, uma pereira e uma macieira. Ficou de fora uma desejada amendoeira, mas já não havia espaço para ela. É uma das culturas da região e floresce e fevereiro/março. É uma boa espécie para um jardim, nas regiões onde elas se possam adaptar bem. Tenho também 3 videiras.
Plantas suculentas
Plantas suculentas

Para complementar o jardim há uma classe de plantas que ficam bonitas praticamente o ano todo: são as plantas suculentas. Para a maior parte destas plantas não há primavera, uma vez que elas não são cultivadas pelas suas flores, mas pelo aspeto das suas folhas que são autênticas “flores”. O grande problema das suculentas é que a maioria delas é oriunda de climas quentes (América Central e Sul e África do Sul), não suportando as temperaturas baixas que aqui se fazem sentir. Tenho de contar com temperaturas de várias noites abaixo de zero, com possibilidade de pontualmente serem atingidos 10 ou 12 graus negativos. É a morte certa para estas plantas. Com vários anos de prática fui selecionando plantas que suportam melhor as baixas temperaturas. Seduns, algumas Echeverias, Aloes, Cotyledon, Crassulas e Senecios aguentam no jardim todo o inverno sem qualquer proteção. Das várias centenas de espécies de suculentas que possuo, posso dizer que 95% tem de ser protegida durante o outono/inverno. Isso faz com que estas espécies não sejam plantadas no solo, mas se encontrem todas em pequenos vasos, fáceis de transportar e de acomodar. 
Echeveria rainbow

O mundo das suculentas é vasto, entusiasmante e viciante. O entusiasmo pode ser tanto que leve à compra compulsiva de plantas na ânsia vã de conseguir todas as espécies. O género Aizoaceae tem 2000 espécies, as Crassulaceae são 1300 e os Catus 1600! 
Administrei até ao início do ano, no Facebook, o grupo Suculentas-Portugal que junta atualmente 145 mil membros. Vi-me na necessidade de abandonar o cargo porque as tarefas administrativas me ocupavam tanto tempo que eu já não tinha oportunidade de aprender e de cuidar das minhas plantas.
Na horta tenho feito as culturas mais normais como cebolas, alhos, couves, alfaces, feijão, tomate, pimento, malaguetas, espinafre, cenouras, beterrabas, etc. Também já tive nalguns anos, favas, ervilhas, batatas, rabanetes, pepinos, beringelas, alho-francês, etc. Por norma não faço sementeira, compro as plantas prontas a plantar. 
Coprosma kirkii variegata coberta de geada

Outra das áreas que a horta/jardim abrange é a das ervas aromáticas. Aqui há algumas culturas permanentes como a salsa, hortelã, poejos, loureiro, sálvia, tomilho, alecrim, alfazema e carqueja. Tenho também coentros, que semeio várias vezes ao ano e o manjericão, que compro.
Para desgosto meu, não tenho nenhuma fonte de água própria, rego com água da rede pública. Por vezes a fatura mensal chega aos 40€. Não sei se é muito para outras pessoas, mas para mim gostava que fosse menos. 
Faço compostagem de tudo o que é possível. O composto é aplicado na horta aquando das plantações. Não faço tratamentos para fungos ou outras doenças e pragas. Já tive alguns problemas por exemplo no feijão, nos tomateiros e no pessegueiro, mas esta é uma opção que faço.
Taça com Sedum

O Grupo Aprendiz de Jardineiro, no Facebook criou a rubrica “Jardim todo o ano”. Pretendo, mensalmente fazer o ponto da situação do meu jardim/horta. Não no intuito de mostrar nada, mas de registar, refletir e partilhar com quem quiser ler a evolução de algumas espécies longo do ano.
Não é um jardim grande. É um espaço pequeno, cheio de cor e de vida, onde não cabe mais uma espécie. Não compro plantas novas há algum tempo. Recebo plantas que me dão e que troco com várias pessoas pelo país. Também partilho, presencialmente, com familiares e amigos. Esta paixão pela jardinagem é entusiasmante e contagiante. Para mim (já) não é dispendiosa e é relaxante. Um jardim todo o ano, tem trabalho todo o ano, mas essa conversa fica para outra altura.
Boa jardinagem.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Árvores de fruto

Depois de um grande arranjo com as aromáticas em julho de 2016, todo o verão foi ocupado a cuidar dos espaços que proporcionaram muita cor e beleza. Ficou para o final o espaço 7, destinado às árvores de fruto, por o verão não ser a melhor altura para a sua plantação.
Assim, chegámos a outubro com apenas uma cerejeira, decorativa, por sinal, o que não têm nada a ver com o que pretendia. É claro que o espaço não chega pata um pomar, deve ser entendido como um prolongamento do jardim. Nem sequer penso nele como recurso de fruta. Somos todos diferentes e eu tenho por hábito pensar pouco em aspectos práticos ou económicos. Tenho tido a possibilidade de me ocupar com aquilo que me dá prazer, aquilo que me faz sentir bem comigo e com o mundo que me rodeia e tenho aproveitado essa oportunidade. Quando penso em árvores de fruto penso em ramos, folhas, flores, frutos, aves, insetos, cores, vida. As árvores, de folha caduca ou persistente, vão ser abrigo para os pássaros, possivelmente vou ter aqui  ninhos de pintassilgo, milheirinha, ou mesmo de um verdelhão. Vou poder contribuir um pouco para os acolher, alimentar e, sobretudo, gozar da sua presença. Já quando escolhi alguns arbustos para o jardim pensei nas bagas que poderiam alimentar as aves. Parece-me que com alguns verdadeiros frutos a coisa pode melhorar.
 Para as árvores de fruto tinha, no máximo, uma faixa de terra de 2,7mX25m. Depois de ponderadas as hipóteses optei por apenas uma filha de árvores, com um compasso aceitável para uma meia dúzia de árvores. Na escolha, para além do aspeto de abrigo e alimento para aves, pesou também o gosto dos membros de família, mas sabíamos à partida que seria uma árvore de cada espécie, e não daria para todas as que pretendíamos.
Com folha persistente, e como já há muitas oliveiras na urbanização, optámos por uma tangerineira e um limoeiro. São árvores a que não estou nem um pouco habituado. Os limões são muito úteis na cozinha. A tangerineira tem uma copa densa de folhas muito verdes, ajudando a criar uma barreira visual, dando alguma privacidade. Estas duas árvores foram plantadas mo início de novembro, quando o estado do tempo permitiu uma ligeira interversão no terreno. São sensíveis ao frio, não sei se terão sucesso, espero que sim.
As restantes árvores foram compradas poucos dias depois. Não foi fácil. Como é que se pode escolher uma cerejeira? A vontade era plantar três ou quatro, com épocas de floração e frutos muito diferentes, mas não pode ser. Foi escolhida uma cerejeira, um pessegueiro, uma macieira, uma pereira e um diospireiro. O que me custou mais foi não plantar pelo menos uma amendoeira, pelas flores, mas todas as árvores de fruto escolhidas têm bonitas flores. O diospireiro, a pereira e a cerejeira também costumam ter um bonito colorido nas suas folhas durante o outono. Três videiras juntaram-se ao conjunto.
Vamos esperar pela primavera para vermos algumas alterações.
Com a plantação das árvores de fruto terminaram as intervenções de fundo no espaço considerado jardim. Cada área está orientada para aquilo que foi pensada e agora só há que cuidar, replantar, de acordo com o desenvolvimento das espécies, os gostos pessoais e a disponibilidade de tempo para os cuidar.
Durante o outono e inverno as intervenções não são muitas, mas, com o crescente entusiasmo pelas suculentas, não tem havido descanso e há novidades a acontecerem todos os dias.

sábado, 19 de novembro de 2016

Aromáticas e alfobre

No seguimento da instalação do jardim/horta um momento digno de realce aconteceu em 23 de junho de 2016. Tratou-se da criação de área para plantas aromáticas e um alfobre, no espaço 2, a que chamo horta.
Talvez seja a influência da matemática, da informática, das duas, ou de outras, mas gosto das coisas organizadinhas (pelo menos à minha maneira). Algumas plantas aromáticas, com a hortelã, comportam-se como verdadeiras infestantes, invadindo to o espaço em redor. A instalação de pequenos espaços, cada um destinado a uma espécie aromática, pareceu-me uma boa ideia e tem funcionado, pelo menos até agora.
 Usei os mesmos materiais dos canteiros anteriores, aos quais acrescentei fugas de chaminé, com vários larguras. São estruturas em cimento, usadas para fazer as chaminés das churrasqueiras. Existem com diferentes larguras, mantendo a mesma altura e profundidade, o que permite combiná-las. Parece-me que têm muito potencial para a criação de canteiros práticos e originais, em jardinagem.
Os restantes materiais foram basicamente, plástico para impermeabilizar o passeio, gravilha, lancil e bordadura em madeira.
As fugas foram usadas para criar um pequeno canteiro com divisórias, destinadas à plantação de aromáticas. Os espaços maiores têm 50 cm de comprimento e os mais pequenos 20. Para fácil acesso, junto ao canteiro foi criado um passeio com 40 cm de largura, impermeabilizado e revestido com gravilha. Segue-se um canteiro com 70 cm de largura e 4 metros de comprimento. Foi criado para servir como alfobre, mas ainda não foi utilizado como tal. A largura permite fácil acesso e tem servido às mil maravilhas para a plantação de alfaces, repostas logo que haja alguns espaços vazios.
A totalidade do espaço destinado à horta não ultrapassa os 30 metros quadrados. Quando ficou pronta já era tarde para a instalação de uma verdadeira horta, tentaremos no próximo ano. Para já tem sido muito útil com couves e nabiças que se têm desenvolvido muito bem.
No local já tinham sido plantadas algumas couves e ervas aromáticas, que tiveram de ser arrancadas e novamente plantadas depois dos trabalhos terminados.
Na preparação deste espaço estiveram envolvidos os quatro membros da família. Foi a primeira vez que isso aconteceu. Os materiais foram preparados atempadamente e dispostos no terreno antes de se proceder à sua instalação. Houve um cuidado extra em não elevar o nível, de modo que a terra não venha parar ao logradouro, que seja fácil o acesso a todos os espaços e que fique assegurado o escoamento de um possível excesso de água.
 As ervas aromáticas adaptaram-se bem no local. Plantei salva, tomilho, segurelha, hortelã-pimenta, salsa e hortelã, sendo estas duas últimas as mais utilizadas. Tenho tido algum trabalho para manter a hortelã confinada ao espaço que lhe destinei.
Durante o verão as alfaces cresceram rapidamente, com regras frequentes e alguma adubação. Agora, em novembro, o seu crescimento é muito lento e não sei se vale a pena plantar mais. Têm-se criado bom repolhos e as tronchudas para o Natal também têm bom aspecto.
As nabiças nasceram bem, embora muito espessas (falta de prática). Estão prestes a ganharem grelos.

sábado, 5 de novembro de 2016

Mais um espaço no jardim

No seguimento das postagens anteriores, chegou a altura de falar um pouco da área 4 do jardim, aquela que se seguiu na preparação e na ocupação pelas plantas.
 Já com alguma experiência na preparação dos canteiros anteriores, esta área foi bastante pensada, quer ao nível da organização do espaço, quer ao nível das espécies que a ocuparam. Em poucas palavras, este espaço será maioritariamente ocupado com arbustos, com uma presença de espécies autóctones e aromáticas. É claro que... depois... quando o espaço começou a faltar, outras espécies também aqui ganharam raízes.
Situado em frente à casa, tem uma boa exposição solar. Uma parede que o separa da rua projeta alguma sombra nalgumas horas do dia. Pareceu-me importante que este espaço não destoasse muito da área 2, já finda e muito próxima dela. Assim, os materiais usados foram os mesmos, com pequenas alterações: bordadura em madeira, lancil, gravilha, alguns deks em madeira, estacas e plástico negro.
Em relação à área 2 decidi substituir a malha de geotextil por plástico negro. Tenho ideia que é mais eficiente contra as ervas daninhas e como a ária a cobrir é de pouca largura, não deve causar problemas com a impermeabilidade.
 Mesmo antes do arranjo do espaço já aqui tinham sido plantadas uma cerejeira de jardim, uma camélia e um azevinho.
O arranjo foi feito em julho, numa altura em que o meu físico já denotava algum desgaste face ao esforço físico a que estava a ser submetido. O trabalho pesado foi feito pela esposa e pelo filho, com grande nervosismo meu. É muito enervante querer fazer uma coisa e não se ser capaz.
Foi feito um passeio com pouco mais de 50 cm de largura que dividiu o espaço (ver o esquema) e que permite um fácil acesso a qualquer local. No passeio foi colocado o plástico negro e coberto com gravilha. Inicialmente estavam previstos deks de madeira, mas o preço seria mais elevado e não ficaria melhor.
Dois lancis de 1 metro, em comento, foram usados para fazer a separação do espaço de jardim com outro espaço (7) destinado a algumas fruteiras. Entre os dois vai existir um arco em ferro, que já está comprado mas que ainda não foi colocado porque precisa de uma adaptação feita por um serralheiro.
 Depois do arranjo, não passou muito tempo para que algumas espécies dessem um arde vida aos canteiros. Foram plantados alecrim, alfazema, hebe, berberis e até uma hortência, para aproveitar a sombra da parede. A minha intenção é plantar aqui arçãs (nome local dado a um rosmaninho selvagem), carqueja, urze, giestas e sargaços, mas não sei qual a melhor altura para transplantar as plantas.
No momento em que escrevo já há muitas espécies no canteiro, com destaque para algumas roseiras que estão com flores fantásticas.
A colocação do arco está para breve. Já há um jasmim bastante desenvolvido à sua espera. Com tempo irei falando das diferentes espécies que já aqui se desenvolvem, umas melhor, outras pior. A camélia é que parece não dar "sinais de vida", mas todas as restantes têm-se desenvolvido e florido bem. Também já há algumas suculentas neste canteiro.



terça-feira, 18 de outubro de 2016

Canteiro 2

As áreas em que se divide o jardim já foram apresentadas anteriormente, mas podem ser revistas nesta imagem.
A área 1, um pequeno canteiro, ficou pronto sem grande trabalho e começou a ser ocupado no fim de abril de 2016. Primeiro foram as verbenas, depois amores-perfeitos e petúnias, mas com o decorrer do tempo outras espécies são passaram por lá, umas com mais sucesso, outras com menos.
O canteiro 2 é aquele que ocupa a lugar mais privilegiado. Situado em frente à casa, tem cerca de 20m2 de área. Decidi não semear relva e criei um canteiro em toda a volta com 70cm e 50 cm de largura, com o centro pavimentado por gravilha. Usei tela geotext sob a gravilha que tem cerca de 10 cm de altura, mas mesmo assim não sei se impedirá o aparecimento de ervas daninhas.
Mesmo antes de começar a criar os canteiro plantei uma hera. A ideia seria de comprar uma pequena estátua e que a era cobrisse a base da estátua. A hera não cresce em demasia. Já a tinha em casa, imagine-se, plantada dentro de um aquário que virou terrário. Estava bonita e durante mais de 10 anos pouco se desenvolveu. Gosto muito dela, mas no novo local rapidamente as folhas ficaram queimadas pelo sol. Agora que o tempo está mais fresco e o sol é menos intenso, parece estar a recuperar, mas tenho as minhas dúvidas de que seja a planta adequada para o lugar.
Durante o mês de maio choveu imenso e só mais para o fim do mês consegui plantar mais alguma plantas, margaridas-do-cabo. Só comprei duas plantas, uma amarela e outra branca. Até hoje, passou meio ano, não pararam de florir!
Seguiram-se alguns gladíolos, que também que desenvolveram bastante e com lindas cores.
O canteiro só ficou pronto a 20 de junho. Nas semanas seguintes foram plantadas violetas, petúnias, santolinas, azáleas e gazânias. Comprei também amores-perfeitos, mas tiveram pouco sucesso e acabaram por morrer rapidamente.

Quase no final de julho chegaram as primeiras roseiras. O sol era tão intenso que se não fosse o ter cortado algumas giestas para as proteger teriam sido todas queimadas. Felizmente só uma é que não sobreviveu.
Durante o mês de agosto as petúnias foram as rainhas do meu jardim. O colorido levou-me a adquirir mais algumas, de flores de formas e cores diferentes sendo muito difícil dizer quais eram as mais bonitas.
Algumas espécies foram ganhando algum espaço neste canteiro, sobretudo arbustos. É importante que se mantenha alguma graça, quando as petúnias morrerem. Os arbustos são a forma que manter alguma estabilidade durante todas as estações.
Neste canteiro deixei um espaço para os lírios. É uma espécie que também gosto muito. As plantas que já tenho ainda têm pouco vigor mas o tempo delas chegará. Entretanto, já comecei a preparar o outono e o inverno. Já plantei alguns bolbos que vão transformar o canteiro e dar-lhe uma nova vida e, espero, muita cor.