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domingo, 23 de novembro de 2025

Compostagem

O Município de Vila Flor procedeu dia 21 à distribuição de compostores, resultado do projeto “Recolha de Resíduos Verdes, Compostagem Comunitária e Doméstica”, promovido pelas Terras de Trás-os-Montes e desenvolvido pela Resíduos do Nordeste. Não foi a primeira vez que me candidatei a receber um compostor, mas a procura deve ser grande, porque nunca me foi atribuído.
 Desta vez a sorte tocou-me e recebi um compostor de 330 litros e um guia para a realização de compostagem doméstica.
Curiosamente não me apercebi ainda o que a autarquia faz com os resíduos resultantes dos jardins, nomeadamente com uma grande quantidade de relva cortada aqui bem próximo da zona onde eu vivo! Será que faz compostagem? Alguns canteiros da Vila bem agradeciam um pouco de composto (e atenção).
A entrega foi cerimonial, em frente à câmara, às 10 da manhã. Gostei de ver presente o sr. Abílio Aires. Recordo-me de ter visitado a sua exploração de minhocas quando eu era um estudante, já lá vão algumas décadas! O seu interesse pela temática do composto e da minhococultura ainda se mantém, tendo mesmo escrito um livro sobre o tema.
A partir do momento que tive jardim, à cerca de 10 anos, uma das primeiras coisas que fiz foi construir um compostor, com paletes. Têm-me sido de grande utilidade, quer para os materiais orgânicos resultantes da horta e do jardim, quer para os resíduos orgânicos resultantes da cozinha. Todos os anos, ou a cada dois anos, aproveito bem o composto que tem servido para tornar cada vez mais fértil o solo que tinha, que na sua origem era de um terreno de oliveiras. Como o compostor é de madeira,, vai-se deteriorando pelo contacto com o composto e pela ação dos elementos naturais.
Com a chegada do outono, a queda das folhas e a poda vai dar muito material para o compostor. Naquele que já tenho há imensas minhocas, vou transferir algumas para o novo.
Mete-me confusão ver pessoas que gostam de jardim e pavimentam as áreas que têm em redor de casas, ou cobrem o solo com pedras, casca de pinho ou relva sintética! Reduzem os arbustos e as árvores ao mínimo, porque largam folhas! Cada folha que regressa à terra é um pouco da fertilidade que a planta lhe tirou que é devolvida. Os espaços verdes, ainda que pequenos, são a nossa contribuição para o abrandamento do aquecimento global, para a purificação do ar, para a transpiração e para retenção de água no solo. Já para não falar das temperaturas mais baixas no verão, o abrigo para aves e outros seres vivos, e... para a beleza dos espaços. Mais do que criticar é preciso agir, cada um na proporção que estiver ao seu alcance. Mais do que acompanhar a COP30 que decorre no Brasil, é importante a reciclagem, a compostagem, a poupança de água e de energia elétrica que fazemos em nossas casas. Isso sim, é viver em paz e em sintonia com o meio que nos rodeia.
Para os interessados, vou deixar a ligação para um Guia de Compostagem, no primeiro comentário. É um PDF grátis!

sábado, 9 de agosto de 2025

Um ano de pimentas

Comi há poucos dias a primeira pimenta deste ano, uma Pequin, a que a maioria das pessoas chama gindungo.  Isto sem contar com os pimentos Padrón, que já estão bons há bastante tempo.
Quem está atento, já sabe que as pimentas, do género Capsicum, são plantas perenes, embora cultivadas como anuais. Então, para começar as minhas reportagens sobre as pimentas tenho que recuar ao inverno passado, fazendo a ponte para este ano.
Das muitas variedades de pimentas que tive o ano passado, um pouco mais de duas dezenas de plantas estavam em vasos, o que me permitiu guardá-las, com alguma proteção.
Em novembro ainda eu tinha as plantas em plena produção. Em dezembro estavam no terreno e só colhi os últimos frutos no final desse mês. 
Em janeiro as plantas em vaso foram colocadas na churrasqueira, um espaço fechado, embora não aquecido. Apanhei todos os frutos das que ficaram ao ar livre, mas não das que estavam na churrasqueira. Ainda tentei proteger algumas do exterior com manta térmica, mas não foi suficiente, a geada acabou por queimá-las.
A meio de janeiro fiz a última conserva, uma massa de pimentas, muito boa, que ainda hoje ando a comer. Também dei alguns frascos (que sorte teve quem os recebeu!).
A meio de janeiro, andava eu a preparar as coisas para fazer a sementeira das pimentas e ainda colhia alguns frutos das plantas na churrasqueira! Em março tinha alguns frutos de Rocoto, Aji Lemon Drop e Mustard Nagabrain. Ao ar livre a Pequin era única que continuava a dar frutos, e assim continuou até hoje.
Das plantas protegidas nem todas sobreviveram e apenas uma manteve as folhas todo o tempo. Tirei-lhe o último fruto em maio! Não tenho a certeza na sua identificação.  Entre as mais resistentes estão as 'Bishop's crown', Brazilian Starfish, Pequin e alguns Rocotos. Curiosamente a delicada Capsicum Praetermissum foi uma das que sobreviveu, bem como a Karneval yellow. Ao todo, sobreviveram 15 plantas nos vasos.
Sem qualquer proteção, plantadas no terreno sobreviveram as Pequin e 'Bishop's crown'.
Em abril germinaram as primeiras sementes. Usei tabuleiros de germinação, com iluminação artificial Led, mas sem aquecimento. Diria que a germinação correu bem! Sem experiência, coloquei em cada cuvette 6 a 8 sementes de cada variedade sendo que, da maioria, germinaram todas. A exceção foi para os Rocotos
Quando as pequenas plantas já tinham algumas folhas, retirei-lhe a luz artificial e esperei que ganhassem alguma robustez para as transplantar para copos individuais. Esperei, esperei e desesperei. As plantas não cresciam, antes pelo contrário. Deduzi que havia demasiadas plantas, para os pequenos espaços e retirei algumas, mas nada de se desenvolverem. 
Em maio os melros entraram na churrasqueira e fizeram algum estrago, nas pimentas e nas suculentas mais delicadas e quase estive para desistir.
Entretanto, em março fiz algumas sementeiras de plantas aromáticas, na escola, num projeto que desenvolvi com alunos. As pimentas (Bolivian rainbow) não só germinaram bem, como cresceram que foi uma maravilha. Esse sucesso levou-me a insistir e comecei a regar as minhas pimentas de casa com adubo líquido. Deu-se um milagre!
Perdi muito tempo, entre um mês e um mês e meio, em que as plantas não desenvolveram, mas o entusiasmo voltou.
Nesta aventura da descoberta das pimentas não estou sozinho. O meu guru é o Jorge Pinto, grande entusiasta e conhecedor, a quem recorro e a quem devo quase tudo do que já descobri. Com o seu conhecimento e tecnologia já tinha as plantas grandes, em vasos individuais, prontas a colocar no local definitivo. Em junho fiz-lhe uma visita (a 25 km daqui) e não vim de mãos a abanar! Por mais que eu diga - Não tenho espaço - a resposta é sempre - Esta tem que ter!
Foi também nessa visita que fiquei a conhecer o “caldinho”. À hora de almoço levou-me a um bar onde virámos alguns copos… de caldinho… acompanhados com cerveja! Estão a ver como será o caldinho? Picante, é claro.
Plantei as plantas mais desenvolvidas em vasos definitivos (a 14 de junho) e fiquei com as mais pequenas para ir distribuindo pela horta à medida que algum espaço fosse vagando. Foi isso que aconteceu com o canteiro das cebolas.
Neste momento posso dividir as minhas pimentas em 4 grupos: 
O primeiro grupo é o das plantas que transitaram do ano passado. Iniciaram a floração mais cedo e algumas já têm frutos praticamente maduros. Nem todas rebentaram com o mesmo vigor. Mesmo entre os Rocotos, alguns já têm frutos a ficarem vermelhos, outros ainda estão a lançar as primeiras flores. Os Rocotos plantas são grandes. Este grupo de plantas está praticamente todo em vasos e são variedades que já tive no verão passado.
O segundo grupo é o das plantas oriundas no amigo Jorge. Estão com flores e algumas já cheias de frutos. Tem havido flores que caiem, julgo eu devido ao excesso de calor que se tem sentido. Aqui estão as novidades, com variedades muito interessantes. Estão em vasos.
O terceiro grupo é constituído por plantas germinadas por mim, que estão no solo, da horta, já com flores e algumas com frutos. Foram plantadas em julho, conforme a disponibilidade do espaço. São variedades que já tive o ano passado, produziram frutos, dos quais retirei sementes. Das variedades que tive o ano passado, à volta de uma dezena, não deram qualquer fruto!
O quarto grupo são plantas ainda pequenas, em copos, que têm um destino incerto. Neste momento, a retirar da horta, só alho francês, o que significa que o espaço está praticamente todo preenchido. A patroa já me lembrou das nabiças, e das couves de penca, mas não me quer contrariar com as pimentas.


quarta-feira, 23 de julho de 2025

Portulacas

As beldroegas têm gerado tamanha agitação no Grupo que decidi postar mais algumas fotografias com a minha prática. 
A questão colocada no Grupo era se a beldroega (Portulaca oleracea) era comestível. Disso não há a mínima dúvida, ela consumida pelos humanos há MILHARES de anos. Sendo originária do norte de África é natural que se tenha estendido pelo mediterrânio até porque muitos dos alimentos que conhecemos hoje, há milhares de anos ainda eram desconhecidos. Em Portugal ela sempre foi consumida, ao Brasil só chegaria mais tarde, mas na América do Sul existem outras Portulacas que também despertaram a atenção dos humanos.
Há um conjunto de alimentos que ao longo dos tempos ficaram "rotulados" como comida de pobre, muitas pessoas ainda ligam a esse preconceito. Penso que as beldroegas, os beldros, as espigas de milho, o fiolho, a borragem, amoras silvestres, as castanhas, as próprias sardinhas, são algumas das que me lembro. Alguns destes alimentos são hoje bastante cotados no mercado e utilizados com chefes reconhecidos. Mas o preconceito existe... "beldroegas é comida para porcos". 
Sim, é verdade. Em cada aldeia havia centenas de porcos, cada família tinha pelo menos um, no tempo em que frigoríficos e arcas congelados eram uma miragem. Também se alimentavam os porcos com nabos, nabiças, couves, abóboras,... tudo alimentos fortemente consumidos pelos humanos.
Pontualmente comi beldroegas na salada, na infância. Para o agricultor a Portulaca oleracea é uma praga, difícil de erradicar. Sendo uma planta que gosta de solo com matéria orgânica, elas prosperam onde menos as desejamos: na horta, no batatal ou no meio do milho. Culturas das melhores terras e com rega.
O meu interesse pelas beldroegas ressurgiu há coisa de meia dúzia de anos, quando adquiri uma casa com um pequeno quintal. Desde aí que no curto espaço disponível para horta, as beldroegas também têm lugar, tal como a rúcula ou espinafre, que também de reproduzem indiscriminadamente.
Este ano é aquele em que tenho melhores exemplares. As cebolas foram-se abaixo muito cedo e eu passei a cuidar das beldroegas, com rega abundante.
Não consegui comprovar que existem duas variedades. O certo é que as pessoas fazem distinção pelo tamanho das folhas, chamando àquela que tem as folhas maiores, beldroega "mansa". Existe sim duas subespécies, mas o seu território é muito limitado.
Decidi juntar neste pequeno texto a Portulaca grandiflora, conhecida popularmente como Onze-horas (as flores só abrem às onze horas!). Esta sim teve de origem na América, tem um comportamento e aspeto semelhantes, mas é bem diferente no tamanho das suas flores (também as há dobradas).  Esta também é comestível? Sim! Nunca provei mas há relatos de que nalgumas regiões são consumidas por humanos, quer as folhas, quer as sementes. O sabor parece não ser tão bom como o da beldroega.
Como podem ser consumidas? Pois em Portugal sempre foram consumidas quer na salada, quer na sopa, no Alentejo e em Trás-os-Montes. Não se se passou o mesmo noutras regiões. Tratando-se de um vegetal versátil, o céu é o limite e estou a vê-lo a ser utilizado em omeletes, arroz, quishes, esparregado, etc.
Nós só utilizamos as folhas e as pontas mais tenras, mas pode haver quem utilize os caules longos e suculentos. Ficamos a aguardar, nos comentários,  se alguém lhe dá alguma utilidade.
Para finalizar, digo apenas que há quase um mês que como beldroegas todos os dias. Sempre em salada, junto com o que houver à mão, rúcula, alface, tomate, manjericão, porretas de cebola, etc. . Fizemos uma experiência de uma sopa alentejana, com queijo fresco e pão de forno a lenha. Ficou divinal (até para mim que raramente como sopa). Vamos em breve experimentar outra receita, parecida, mas que também leva tomate.
 Depois contarei, se superou a primeira ou não.

sábado, 12 de outubro de 2024

Pimenta Karneval yellow


As pimentas vão amadurecendo e hoje tenho várias de que gostaria de vos falar, por isso, a escolha não é feita pela disponibilidade, mas sim pela cor. Vamos falar de uma pimenta amarela, só porque ainda não apresentei nenhuma desta cor.

Mesmo sem querer, ou talvez por partida do meu subconsciente, a Karneval yellow é uma bonita pimenta, com grande potencial decorativo.

A Karneval yellow não é uma espécie mas uma cultivar da espécie Capsicum annuum. É bom saber que há Karneval de diversas cores, vermelha, laranja e amarela são as mais correntes. As Karneval são plantas muito baixas, consideradas mesmo anãs, com flores brancas, de alguma dimensão e frutos cónicos, abundantes e vistosos. Devido às caraterísticas da planta, sou capaz de recomendar o cultivo em vaso, uma vez que no solo fica muito baixa. Com as chuvas dos últimos dias as minhas apanharam alguma terra que saltou devido ao impacto das fortes gotas. Se a planta já é baixa e ainda é plantada num rego, então ainda pior.

Como vistosa que é, independentemente da cor dos frutos, cultivada em vaso pode ser transportada para onde fique melhor. Os frutos crescem "espetados" sobre a planta, o que lhes confere maior beleza. Gosta de sol, por isso deve-se procurar um lugar para ela onde tenha pelo menos algumas horas de sol direto.

O corte dos frutos estimula novas florações, por isso não é conveniente ficar a admirar os frutos até eles caírem de maduros. Estes não são muito carnudos, mas têm uma boa quantidade de sementes. Não foi possível encontrar uma indicação precisa da escala de ardência mas há quem a situe nos patamares baixa a média-alta. 

O que posso dizer por experiência própria é que me surpreendeu. Não estava a contar com tanta ardência numa pimenta considerada decorativa. Tudo depende da tolerância e hábito. Eu situo-a entre baixa e média, agradável, sem incomodar muito.

Deve ser uma das cultivares mais vendidas como decorativas. Curiosamente os mais conhecidos vendedores de sementes em Portugal não a têm nas suas ofertas!

A germinação foi fácil e o desenvolvimento das plantas também. Não gostam de encharcamento e os meus exemplares não ficaram no melhor local, mas aprendi a lição.

Nota: Todas as pimentas decorativas são comestíveis, mas há alguns cuidados a ter. Quando compramos uma planta num horto, ou floricultura, não sabemos a que tratamentos foi sujeita. Por isso é um perigo comer as pimentas de imediato. Talvez seja conveniente esperar 15 a 20 dias e, mesmo assim, lavar as pimentas muito bem. Há picante e "picante".

sexta-feira, 27 de setembro de 2024

Purple Flash Pepper


A pimenta Purple Flash tem um nome bem ilustrativo. É uma pimenta decorativa em que o principal destaque vai para a cor púrpura das suas folhas (flores e frutos). Ganhou o prémio American Garden Award em 2010.

A Purple Flash pertence à espécie Capsicum annuum. Atinge pouco mais de meio metro de altura, é tolerante à seca e deve ser cultivada ao sol. É bastante resistente ao calor. A estrutura da planta está organizada por camadas o que lhe confere um aspeto muito atraente. As folhas, além da cor púrpura, podem também apresentar branco e rosa, principalmente nos ramos mais baixos ou nas folhas mais jovens.

Tratando-se de uma pimenta com grande interesse decorativo há toda a vantagem em a plantar em vaso (15 a 20 cm), ou então no solo, mas onde fique exposta, em bordadura ou em maciços. Quem tiver interesse nas pimentas pela ardência dos seus frutos, opte por outras variedades, esta é uma planta bonita e vale por isso.

As flores são roxas, pequenas. Os frutos, redondos, brilhantes, negros/roxos e ficam vermelhos quando maduros. Têm aproximadamente 1 cm de diâmetro (os maiores) e formam-se voltados para cima.

Os frutos não têm grande interesse. Achei que têm até um sabor algo desagradável, mas talvez não estivessem bem maduros. O mesocarpo é fino e o interior está repleto de sementes brancas. Alguns sítios web não recomendam o seu consumo! 

Quanto à ardência, ela sente-se mas nada que se compare a uma malagueta. Algumas fontes classificam-na como muito forte, mas não foi o que eu senti.

Dado o tamanho e composição dos seus frutos, não encontrei utilizações culinárias específicos, mas podem ser utilizados como qualquer outra pimenta em molhos, temperos, secagem…

É das minhas plantas preferidas!!