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sábado, 28 de outubro de 2023

Jardim todo o ano - Outubro

Com o mês de outubro prestes a terminar, ganhei finalmente coragem para escrever algumas linhas sobre a horta/jardim dentro do tema “jardim todo o ano”.
O mais marcante deste mês foi, e é, sem dúvida, a mudança climática, com dias frios e muita chuva, em semanas inteiras. Isto, mais do que novidades, trouxe falta delas, ou por inatividade do jardineiro, ou por fraco desenvolvimento das plantas.
No jardim reinaram as dálias, com os crisântemos a fazerem-lhe concorrência no final do mês. As roseiras não podem ser esquecidas! Com uma manutenção cuidada ao nível do corte das flores mortas, elas mantêm-se em floração durante muitos meses. Curiosamente as rosas ganharam novas colorações e até alteração de formato, desde que o tempo fresco chegou. Às gazânias faltou o sol, embora tenham botões e folhas bonitas. O mesmo aconteceu às Margaridas-do-cabo e às Onze-horas. 
Ao longo do mês a Anémona-do-Japão (Anemone hupehensis ou Eriocapitella hupehensis) foi a novidade. Embora seja só um pequeno pé, deitou mais de uma dúzia de flores. Mereceu muitas fotografias, não só pela novidade, mas também pela beleza das flores. Não houve um dia só que eu não a visitasse. Também a salva-ananás floriu durante este mês. Tal como a salva (normal) é um arbusto que pode atingir um metro de altura, com caules que vão progressivamente ficando lenhosos. Todos os anos a corto rente à terra, mas rebenta, com bastantes hastes e durante o mês de outubro enche-se de flores vermelhas. Dizem que atrai os beija-flores, mas não temos disso em Portugal! O nome salva-abacaxi/ananás vem-lhe do aroma que liberta. Já mastiguei algumas folhas, mas não senti nada de agradável (nem desagradável). Não sou louco, as folhas são comestíveis e têm vários ácidos usados no fabrico de óleos. Também são usadas na medicina tradicional de alguns países (ansiedade e hipertensão). As possibilidades de utilização desta planta são muitas: “A salva ananás é um excelente aromatizante para bolos e doçaria, refrescos, batidos, saladas, gelados e licores. Esta erva aromática também combina com carne de porco, pato e legumes. As flores da salva ananás são comestíveis e combinam em saladas.” O nome científico é Salvia elegans e já tenho ouvido chamar-lhe “salva de jardim”. Há outras salvas, bastante semelhantes (por exemplo Salvia microphylla) que são bastante usadas em jardinagem, nomeadamente em jardins públicos.
O mês de outubro também foi marcado pela aparição de muitas plantas bolbosas, que durante o verão estiveram camufladas: torrões-de-açucar, anêmonas, frésias, esparaxis, tritónias, babianas, ranúnculos, ixias, etc.
Outras plantas alegraram outubro com flores: Argyranthemum, Campanula portenschlagiana, Solanum rantonnetii, Tagetes, Petúnias (sim, resistentes ao frio), Scabiosa, sécias, Antirrhinum e mesmo alguns gerânios. 
Nas árvores de fruto o mês foi de acalmia. As de folha caduca começam agora a perder a folha, mas muito lentamente. O limoeiro deu flores, a tangerineira perdeu alguns frutos, o diospireiro brilhou! Nunca o diospireiro conseguiu levar até ao fim tamanha quantidade de frutos! São tantos que tive medo que os frágeis ramos partissem. A árvore é jovem (cerca de 5 anos) e não chega a dois metros de altura. São diospiros de roer, típicos desta época. Temos comido frutos diariamente mas a maioria ainda está na árvore. Os pássaros cedo os descobriram e também têm aproveitado. Este será um ano memorável em cerejas, nectarinas, maçãs, peras, uvas e diospiros. Ainda é mais surpreendente pelo facto de eu não fazer qualquer tratamento fitossanitário! Este ano nem enxofrei as videiras!
Abati quase todos os pés de fisális. Crescem como “castanheiros” e já estavam a abafar o limoeiro, que até nem é das plantas mais fáceis de vencer. Continuo ter alguns frutos e muitas, muitas flores. Esta é uma espécie que nasce em quantidade em todo o espaço da horta, graças aos frutos verdes que vão parar à compostagem.
Na horta houve poucas novidades. A maioria das culturas entrou no outono como se de verão se tratasse. Tomateiros, beringelas, pimenteiros, pepineiros, acelgas, beterrabas, pimentas, alfaces, tudo parecia estar “na paz do Senhor”! De repente faltou-lhe o sol e apanharam vários encharcamentos, porque a chuva foi muita. É a época das nabiças e das couves de penca. Como a horta estava bonita, sobrou pouco espaço para estas duas culturas. Têm tido alguma dificuldade em se desenvolverem principalmente por causa dos pássaros e das lagartas que gostam das suas tenras folhas. Continuamos a colher tomates, pepinos, pimentos, caldo-verde, … só as alfaces têm faltado, por crescimento insuficiente.
Na horta, este ano, um dos destaques vai para as pimentas (por mim chamadas malaguetas). Semeei 5 variedades e comprei plantas de uma sexta. Tem sido um divertimento, colher, provar e tentar conservar a produção conseguida até agora (ainda estarão a meio da produção). Tenho provado as pimentas à dentada, para arrepio dos restantes membros da casa. Tenho comido os Jalapeno (pimenta carnuda e suculenta) na salada, tal como faço com o tomate, pepino e pimento. São ótimos e o ardor mínimo. Já fiz picles e várias misturas com base em azeite (de produção própria) e algumas plantas aromáticas. A base tem sido a experimentação e começo a ficar preocupado com o próprio entusiasmo. Contatei um amigo, que julguei apenas curioso na matéria, que já me mandou uma lista com 58 pimentas diferentes(!), para ou dizer as sementes que quero para sementeira no próximo ano! Coitadas das suculentas, será que é desta que vão passar para segundo plano?!
Nas aromáticas não há novidades. Algumas produções têm ido para a compostagem, porque, mesmo a secar e guardar, e a distribuir por colegas, amigos e vizinhos, a hortelã, hortelã-pimenta, cidreira, salva, salsa, alecrim e poejos têm sido em excesso.
Não têm sido fácil manter vivos os orégãos que consegui no verão. Tive receio de os plantar no chão e que eles se espalhassem descontroladamente, mas, nem no chão, nem em vaso, estão com grande cara.
O levístico deu grande quantidade de sementes. Espero que não tenha o mesmo comportamento da salsa, que nasce mais do que as ervas daninhas!
Cortei as alfazemas tarde e de forma muito radical. É possível que alguns pés não sobrevivam. Também estou com vontade de cortar o loureiro antes que se forme uma grande árvore. Tenho tentado obter outra planta com estacas, em vaso, mas não tive sucesso até agora.
Durante o mês de outubro foram as suculentas que me deram mais trabalho. Muitos vasos e floreiras já foram “montados” há alguns anos e precisaram de manutenção. Também tive um ataque sem precedentes de larvas. Contrariamente àquilo que é recomendado, uso substrato universal para as suculentas. Inicialmente juntava bastante areia, mas o meu stock já terminou faz tempo. Substratos ricos em matéria orgânica e muita humidade são fatores atrativos para os insetos que fazem as suas posturas nos vasos. O mais provável é tratar-se de gorgulho da videira (Otiorhynchus sulcatus). Já tenho encontrado os insetos adultos, mas o problema está nas larvas que se alimentam das raízes e caules das suculentas até causarem a sua morte. As Echeverias são as que mais sofrem. Comem o caule até ao olho, não havendo possibilidade de salvação, caso não seja detetado quando a planta ainda tem alguns cm de caule.
Podemos “sentir” se as plantas estão saudáveis agarrando-as por uma folha e puxando. Se a planta se liberta do solo e não têm raízes, possivelmente temos esse problema e, no mínimo temos que arrancar tudo e substituir o substrato. Curiosamente não tocam nas raízes das plantas de alguns Géneros botânicos! Nunca tive um problema tão grave como este ano.
Os verões são épocas críticas para os Aeonium. Não gostando nós de os ver ressequidos, temos tendência para os regar, matando-os. Por isso é com satisfação que vemos chegar o outono, pelo menos no que toca a Aeonium. Se sobreviveram, despertam e entram em atividade. O Starburst está quase extinto (com pena minha), mas tenho meia dúzia de espécies novas, que me estão a dar muito entusiasmo. Durante o mês de outubro puseram-se bonitos, não os largo nem um minuto!
Outubro também é o mês das Greenovia. Passei o verão preocupado e aos primeiros sinais de mudança apresso-me a fazer propagação, às vezes usando rosáceas menores do que um grão de milho. Planto Greenovia por todos os vasos e floreiras. Algumas não sobrevivem, mas, por norma elas agarram-se à vida e tornam-se bonitas plantas, tendo um crescimento proporcional ao espaço que lhe destinamos. Eu destino-lhe sempre pouco.
Nas mudanças de substrato sobram sempre plantas. Tenho distribuído mudas no meu local de trabalho, para não aumentar o número de vasos (ou de latas). Fico deprimido quando vejo ir algum rebento para a compostagem, mas dou comigo a catar as folhas de algumas espécies, simplesmente para que não caiam de deem novas plantas. Por exemplo a Graptoveria titubans, se não apanhamos a folhas e as pusermos na compostagem, em pouco tempo ficaremos com centenas e centenas de plantas dessa espécie. 
Alguns dos meus “arranjos” passaram maus bocados durante o verão. Não pela seca, mas porque sempre que saí por alguns dias os encerrei na churrasqueira para que os melros não os desfizessem. Tenho tentado recuperá-los, esperando que o musgo cresça e as plantas ganhem de novo forma agradável.
Por falar em melros, eles continuam a rondar o casa, mas eu já não os deixo dormir no jardim. Alterei os meus hábitos e desde Agosto que me levanto antes do nascer do sol. Já têm feito estragos enquanto vou à casa de banho, ou tiro um café! Já não aprecio o nascer do sol, ou tomo o pequeno-almoço na rua. Já faz frio. Mas tenho conseguido minimizar os estragos, que aconteciam mais frequentemente ao raiar do dia. 
O que nós não fazemos pelas nossas plantas!...

sábado, 30 de setembro de 2023

Jardim todo o ano - Setembro

As chuvas que caíram no fim de agosto e no início de setembro vieram despertar o aprendiz de jardineiro, que passou o mês de agosto em compasso de espera, combatendo o calor, com a água possível.
Como já disse anteriormente, aqui o calendário é marcado pelas festas da Senhora da Assunção, uma das maiores romarias da região, que acontece a 15 de agosto. Normalmente coincide com a altura das primeiras chuvas que precipitam a lavra dos campos, a sementeira das nabiças, a plantação das couves tronchudas, etc. Não choveu na Senhora da Assunção, mas choveu no final do mês e o efeito foi o mesmo, mudanças na hortas, nos campos e nas plantas do jardim.
Os tomateiros que comprei, coração de boi, ficaram atrofiados. Valeu-me os tomateiros que nasceram em quantidade, de forma espontânea, por toda a horta. Fruto de cruzamentos são pequenos, mas em quantidade, o que fez com que este fruto não tenha faltado. Também não têm faltado pimentos, grandes e bonitos. A trovoada tombou alguns pés, porque são muito altos e têm muito peso dos frutos. Courgettes não vi nenhum, de 3 pés que plantei, mas em contrapartida os pepinos são em quantidade. Cada vez apreciamos mais os pepinos. Dos repolhos já poucos restam. Algumas couves roxas, de que gostamos na salada. Estão quase a terminar as cenouras. Houve uma boa produção.
Este ano inovei nas malaguetas/pimentas. Já vos contei da “vergonha” que passei num Grupo sobre pimentas, quando cheguei à conclusão que não sabia nada da “poda”. Comprei alguns pés de malagueta e semeei mais 5 qualidades de pimentas que tenho espalhadas por tudo quanto é sítio, desde a horta, aos vasos de suculentas, passando pela churrasqueira. Já comecei a colheita e já fiz um frasco de molho “à minha moda”. No dia seguinte o azeite já picava! Noutra altura darei notícia da evolução das pimentas.
Já plantei as couves de penca. Poucas, porque couves não é coisa que me agrade no prato. Sou mais amante das leguminosas, mas há sempre grandes couves galegas que chegam a vários metros de altura. Uma feijoada à transmontana tem que ter couve galega.

As aromáticas estão muito frescas e crescidas. No jardim serrei um alecrim grande porque o canteiro já parecia uma floresta. Também serrei parte do maçaroco da Madeira. Estava gigantesco e nunca me deu flores. Cortei as alfazemas.
Para não deixar estragar, cortámos o levístico, coentros, poejos, manjericão e várias variedades de tomilho para secar e triturar (tarefa da esposa). Não necessitamos, porque temos quase tudo em fresco, mesmo ao lado da cozinha, mas é para não deixar estragar.
Plantei orégãos, que arranquei num relvado na cidade de Orense. 🙂
Na horta há ainda acelgas, rúcula, alfaces, alho-francês, espinafres, muitas beterrabas, fisális,…
Também nasceram de forma espontânea alguns pés de melancia. Os frutos estão grandes, mas temos dificuldade em saber quando estão prontos para colher.
No que toca às suculentas, são já bem visíveis a mudanças. Embora atribuamos muitas vezes estas mudanças às alterações de temperatura, ou de humidade, as plantas são muito mais sensíveis às mudanças da duração do dia. O fotoperíodo (tempo de luz) é o calendário das plantas. Tenho-me levantado todos os dias antes do sol nascer (para guardar as suculentas dos melros) e noto alterações de dia para dia. Os dias são muito mais curtos e o sol “descreve um arco” cada vez mais baixo.
Muitas suculentas sofreram efeitos do granizo. A destruição não foi grande, mas é notória, principalmente nas Echeveria. Os Aeonium despertaram e em breve vão voltar a ser estrelas.
Alguns bolbos também já despertaram! Os primeiros foram os muscari mas agora já noto rebentos de açucena, frésias, tritónias, anémonas e até beijinhos-de-mãe.
Quanto a flores, não há muita quantidade, mas há alguma variedade. Estão em força as sécias; ainda reinam as onze-horas; há gazânias em flor, mas tenho-as cortado para que renovem. As roseiras nunca param de dar flores. Faço poda constante desde a primeira floração, o que provoca rebentamentos e novas florações. Estão carregadas de botões. As dálias também estão em plena floração.
Floriu uma planta nova no jardim. Trata-se de uma anémona-do-japão. A planta já me foi dada há alguns anos e pensei que tinha morrido. Só me apercebi dela quando vi uma haste floral que cresceu até perto de 80 cm de altura.
Nas fruteiras, o diospireiro tem perdido muitos frutos, mas ainda tem uma quantidade aceitável. Espero que os mantenha. Estão boas para apanhar as maçãs Golden. A macieira tinha demasiadas e não cresceram muito, mas são extremamente doces e sumarentas. Até agora só temos apanhado as que caem ao chão. Os canários também gostam de maçãs (e de couves!). Gasto todas as manhãs 3 maçãs, colocando um “gomo” em cada gaiola.
Como próximas tarefas: semear algumas nabiças. Quer os grelos, quer os espigos são importantes na dieta a que estamos habituados. Quando o frio vier, uma alheira assada nas brasas, num prato de batatas cozidas e grelos é um dos nossos pratos mais tradicionais.
Também há uma tarefa que nunca acaba, ... renovar o substrato nalguns vasos das suculentas. Todos os anos há ataques de larvas, que comem as raízes das suculentas. Tenho algumas floreiras com esse problema.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Jardim todo o ano – Fevereiro


Fevereiro chegou ao fim sem a tão esperada chuva que se tem feito esperar todo o inverno. Assim, este que seria um mês de alguma transição acabou por ser seco e “quente” com reflexos nas plantas, sem sempre positivos.
Fevereiro é o mês dos bolbos. Os cantos do jardim que pareciam despidos ganham vida, um jardim todo o ano tem que ser assim, ter espécies que emprestam beleza e cor em diferentes meses do ano.
A bergénia foi uma das primeiras a enfeitar o jardim com as suas belas flores cor-de-rosa. Só tenho uma planta e pequena, não a posso deixar esticar. É uma espécie que não dá qualquer trabalho. Apenas corto as folhas velhas e ela mantêm-se viva e bonita, florescendo todos os anos.
Outra espécie que floriu bastante foram os crócus. Tinha-os espalhados por vários locais, mas tenho-os agrupado todos num pequeno quadrado de terra. Os bolbos são muito pequenos e como ando sempre a plantar facilmente os arrancava sem dar conta. É bom saber com precisão onde é que eles estão. Mesmo esse pequeno espaço que lhes pertencia já tem alguns semprevivos pelo meio. Estou a tentar mudar todos os semprevivos para o solo, mas é uma tarefa gradual. Infelizmente os melros não são meus aliados: de cada vez que eu os planto, eles vêm arranca-los. São muito persistentes e mesmo tratando-se de semprevivos, alguns não aguentam.
Os primeiros narcisos floriram, mas a floração vai arrastar-se durante o mês de março. Os primeiros a florirem são espécies autóctones que já estão ambientadas no jardim. Tenho também uma variedade de flores pequenas, que floresce sempre primeiro. Ficam muito bonitos em grupo. As prímulas também floriram.
Os amores-perfeitos (pequenos) também começaram a florir. São plantas que nascem na horta e que transplanto para vários pontos do jardim. No jardim não nascem, porque eu não revolvo a terra. Está tudo tão cheio que desde que fiz o jardim, nunca mais o pude cavar. 
Fruto do inverno atípico os lírios começaram a florir mais cedo. Parece-me que a floração vai ser mais escalonada no tempo do que o habitual, o que é bom.
Despontaram muitas tulipas. Não sei se foi a falta de chuva, mas parecem-me muito fracas. Acho que vai ser um mau ano para estas flores. No ano passado foi excecional. 
Também os jacintos floriram. São bolbos que já estão na terra há alguns anos. A maioria das hastes florais são pequenas. São das flores que mais aprecio no mês de fevereiro.
A meu maior interesse pelas orquídeas está a dar algum resultado. Tenho quatro plantas floridas, entre elas uma orquídea sapatinho. É uma estreia absoluta!

Nos arbustos é de referir a Hebe e a Grevília. São dois exemplos de plantas com flores fantásticas, de floração precoce e que atraem para o jardim muitos polinizadores. 
No decurso do mês o jardim foi-se enchendo. O aumento de horas de luz fez crescer a verdura, que não tarda vai-se revelar em flores.
Na horta sobreviveram as couves galegas, bróculos, alho-francês, acelgas e ervas aromáticas, que mesmo sem desenvolverem vão aguentando.
Animado pelos dias amenos fiz sementeira de algumas espécies. Ao longo dos últimos anos fui acumulando sementes de dezenas de espécies, hortícolas e de jardim. Algumas compradas, outras dadas, parte delas recolhidas por mim no jardim. Não as tenho utilizado. As minhas necessidades, por exemplo no que toca a hortícolas é quantidades muito pequenas. Tenho tido alguma resistência a fazer as minhas próprias sementeiras, por exemplo de cebolo, alfaces, beterraba, etc. Com meia dúzia de euros compro as plantas, em cuvetes, prontas a pôr na terra. Semeei alfaces, beterrabas e coentros.  Semeei também algumas espécies de jardim: verbenas, sempriternas e, pela primeira vez, tremoceiro. Foi complicado manter a passarada longe da terra fresca. Vamos esperar pelo resultado.

Na preparação da terra aproveitei para arrancar as raízes de levístico (planta Knorr) para as mudar de lugar. Foi no verão anterior que fiz a sementeira. Não tinha qualquer conhecimento da planta e fiquei com vários exemplares pequenos quer em vasos, quer na horta. Foi uma surpresa quendo perderam toda a parte aérea. Aproveitei esta época de pausa para transplantar as raízes para um lugar mais adequado. Foi uma experiência que não sei se resultará.
Das árvores de fruto pouco posso dizer. À exceção dos citrinos, todas foram podadas em janeiro. Apesar de não ser muito recomendado, não esteve muito frio. A primeira a florir vai ser a nectarina, que já apresenta os gomos inchados. 

Fevereiro é o mês em que começa a floração da amendoeira. Apesar de não ter amendoeiras no meu espaço elas abundam nos campos em redor, tenho mesmo algumas na minha rua. É um espetáculo! É uma das épocas mais bonitas em parte da Terra-Quente Transmontana. É uma atração turística e atrevo-me a dizer que é a maior atração turística da região. É graças à amendoeira em flor, que se escola grande parte da produção de azeite, vinho, frutos-secos, fumeiro e outras iguarias que aqui são produzidas.

Ao longo do mês de fevereiro comecei a “mexer” com as suculentas. Alguns dos vasos que estavam na churrasqueira saíram para a rua. Em algumas noites já não coloquei a manta-térmica nas plantas que estavam no exterior. Enquanto as temperaturas se mantêm no positivo não há grandes problemas para elas. Não presenciei, até ao momento, nenhuma grande geada.

Tenho dado especial atenção aos Aeonium, principalmente Grennovias e aos Orostachys. Estes últimos têm uma forma original de resistirem ao inverno. Fecham-se, vivem das suas reservas, até que as condições lhe sejam de novo favoráveis. Ao longo do mês foram “acordando” e aproveitei para fazer algumas transplantações. Também há alguns Sedum que precisam de cuidado todos os anos. É um género bastante diversificado e se há espécies que não necessitam de qualquer cuidado, outras há que precisam de substrato “fresco” quase todos os anos, ou vão definhando. O Sedum oreganum, o Sedum spathulifolium e o Sedum pachyclados são exemplos em que o sucesso depende muito da atenção que se lhe dá. Novas plantações anuais pode ser a chave do sucesso. Mas também o Sedum dasyphyllum e o Sedum hemsleyanum carecem de bastante atenção.
Março está aí e o jardim vai explodir de cor.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Jardim todo o ano – Janeiro


Janeiro é também um mês de floração das orquídeas

Janeiro é, sem dúvida, o mês em que quer a horta quer o jardim estão mais despidos. São poucas as espécies que crescem e menos as que florescem nos meses mais frios, mas o inverno é atípico e passam-se coisas muito anormais para esta época do ano.
Aeonium arboreum Zwartkop - Tem estado protegido do frio e do sol
No que toca aos canteiros de jardim é de salientar o surgimento dos bolbos plantados no outono: frésias, aémonas, jacintos, gladíolos, tulipas, crocus, muscari, açucenas, etc. É um mês de mudança, quando outra vida desperta. Os poucos espaços do jardim que aparentavam estar vazios ganham vida e redobra-se a esperança de uma primavera farta de flores.
As últimas rosas, antes da poda das roseiras

Talvez fruto do inverno atípico, completamente seco e até algo ameno no que toca a temperaturas negativas, há espécies que continuam em flor, quando deviam ter desaparecido. Estou a falar de crisântemos, cravos-túnicos ou bocas-de-lobo. Tenho crisântemos completamente floridos! Nalguns forcei o seu final, cortando-os pelo colo para estimular a rebentação, mas outros tinham tantos botões que tive pena de os cortar e continuam floridos não imagino até quando.
Cravos-túnicos (tagetes)


Também os cravos-túnicos (tagetes) estiveram sempre e continuam em flor! As suas flores foram mudando, estão hoje mais amarelas e perderam quase toda a cor bordeaux, mas estão lá, enfeitando o jardim.
Sedum palmeri e Cotyledon orbiculata

Finalmente podei as roseiras. Aproveitei as últimas rosas para oferecer à cara metade, que fez anos em meados de janeiro. Já se notavam alguns rebentos e por isso tive mesmo que podar. Dei algumas estacas, a restante madeira foi cortada em pedaços de 15 a 20 cm e vão servir para acender o recuperador de calor no próximo inverno. Todas as folhas foram para a compostagem. 
Bocas-de-lobo

Foi ao podar as roseiras que o jardim se mostrou mais despido. Esta fase também é necessária. Sob as roseiras crescem muitas outras espécies. Quando as roseiras ficam sem folhas é uma oportunidade que têm de receberem mais luz, que este inverno não tem faltado. Luz há muita, mas falta a chuva. Reguei o jardim com alguma regularidade, mais ou menos uma vez por semana, durante todo o mês de janeiro. O solo estava seco e notava alguma dificuldade nos bolbos em irromperem da terra. A rega permitiu humedecer a terra e amaciá-la, tornando o processo mais fácil.
Sedum album 'athoum'

Este ano também estou a dar mais atenção às orquídeas. São flores de que é impossível não gostar. Janeiro também é mês de floração deste género. Os meus exemplares estão bastante fracos. Acho que ainda tenho muito que aprender. No entanto duas plantas já floriram e espero mais flores em breve.
A Epidendrum cinnabarinum não estava a aguentar as temperaturas exteriores. Tive que a recolher, mas ainda sofreu bastante nas folhas jovens. Não sei se vai florir.
Crassula ‘Springtime’

Na horta também aconteceram coisas invulgares. Andei a comer tomates, sem qualquer processo de conservação, durante todo o mês. Os que colhi depois das primeiras geadas foram deixados no exterior e aos poucos foram ganhando cor. Mesmo sem o mesmo sabor não foram desperdiçados. Ainda houve muitos que foram parar à compostagem e já estou à espera de no próximo verão ter uma nova invasão de tomateiros a surgirem por todos os lados.
Echeveria elegans

Plantei os alhos em janeiro! Estive à espera de chuva, que não chegou em dezembro, nem em janeiro. Farto de esperar, optei por plantar os alhos. Durante o mês fiz várias regas e acabaram por “nascer” bem. Nunca me tinha passado pela cabeça, ter que regar os alhos para eles brotarem! 
Colar-de-rubis (Othonna capensis)

Arranquei as últimas cenouras. Na terra restam os alhos franceses, couves galegas, tronchudas, brócolos e nabiças. Começam a desenvolver acelgas e a despontar rúcula. As plantas aromáticas também estiveram em pausa. Estão situadas numa zona de sombra e tiveram fraco crescimento.
Podei as fruteiras com exceção dos citrinos. O pessegueiro recuperou depois de dois anos em que esteve bastante doente com lepra. Tem boa madeira e promete muitas flores. Nem sempre muitas flores equivalem a muitos frutos, mas é um bom começo. Da pereira e na macieira não me posso queixar, 2021 foi um ano excecional, melhor é impossível.
Cotoneaster franchetii

Mantive as tangerinas na árvore até há poucos dias. Isto também porque me têm dado muitas e fui guardando as minhas para quando faltassem. Já estavam a cair ao chão e decidi apanhá-las todas (a árvore é pequena). Foi a única fruta que os pássaros não decidiram comer! Não devem gostar de sabor.
No que toca às suculentas, estão felizes e eu também. Ainda não houve geadas que causem danos elevados. As únicas baixas são naquelas que estão protegidas na churrasqueira! Mesmo sem rega, algumas melaram e as folhas apodreceram. 
Orostachys e Sedum forsterianum

Como estou a testar a utilização na manta térmica, fico sem saber se ela é realmente eficaz. O inverno tem sido anormalmente ameno e mesmo os Kalanchoe têm aguentado em exterior, sem qualquer proteção. Face às temperaturas amenas e dias soalheiros comecei a mudar o substrato de alguns vasos e floreiras feitos há vários anos. Mesmo com poucas exigências de solo as suculentas ficam muito tristes quando ficam mais de três anos com o mesmo substrato. Acho que ao segundo ano atingem o máximo, e depois de três o substrato deve ser mudado. Isto não se aplica aos Aeonium que podem ficar mais anos. Já alguns Sedum e Orostachys pode ser benéfico replantá-los todos os anos.
Os Sedum que perdem a parte aérea durante o inverno estão a regressar: Sedum vistoso, Sedum lineare variegatum, Sedum 'Lime Zinger', ou Sedum takesimense 'Atlantis'.
Crisântemos ainda floridos

As estrelas do tempo frio são os Aeonium (e Greenovia). Há algumas espécies que ganham tonalidades bonitas com o frio. Uma delas é o Sedum luteoviride e outra é o Sedum palmeri. Ao fim de alguns anos quase deixamos de reparar neles! É pena, porque são bastante bonitos.
Os Orostachys estão a despertar. Tal como disse anteriormente, acho positivo arrancá-los, limpá-los e plantá-los de novo. Já comecei a fazer isso, mas há Orostachys espalhados por todos os vasos e até já estão a chegar aos canteiros.
Tangerinas, apanhadas em janeiro

Esta é um pouco da história de janeiro, um mês de espera. Espera pela chuva que teima em não chegar, pelo fim da pandemia que tem registado infeções record na região, espera um clima normal, por uma vida normal seja lá o que isso é. Sempre resta a horta/jardim para largos momentos de evasão e felicidade.