Mostrar mensagens com a etiqueta Outono. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Outono. Mostrar todas as mensagens

domingo, 15 de setembro de 2024

O outono está aí

Aeonium 'Floresens‘ ao centro

As suculentas adoram o outono. Eu sei que o outono ainda não chegou, mas as plantas não precisam de calendário e já dão mostras de mudança.

Como é que as suculentas suportam o calor e a secura intensas? Adotando formas de resistência, alterando o seu metabolismo para fazer face às condições adversas. Por isso, frequentemente, morrem por serem regadas. Estão preparadas para viverem com pouco e a abundancia mata-as. 

Quando chegam os dias curtos e as noites frescas, as plantas não necessitam de calendário para mudarem as suas vidas. E, se muitas delas vão perder as folhas e entrarem em dormência, outas vão deixar o estado de luta pela sobrevivência, para se darem ao luxo de crescerem, brilharem, ganharem novas cores. Claro que quando as temperaturas descerem muito vão entrar de novo em stresse, mas, até lá, vão ficar bonitas e a mudança já começou.

Um dos géneros onde se nota maior mudança nesta altura é nos Aeonium. Regressam à vida de dia para dia. É uma boa altura para fazer mudas e aumentar a coleção.

sábado, 14 de setembro de 2024

Scilla autumnalis

 Não posso deixar de partilhar convosco mais um sinal de que o outono está a chegar. Já floriu no meu jardim a Scilla autumnalis, ou cila-do-outono. Pequena espécie autóctone em Portugal, que lança primeiro a haste floral, antes de mostrar as folhas. Existe em Portugal inteiro, com principal incidência no Algarve. 

É tão pequena que se não estivermos atentos não damos por ela.

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Algumas amostras do outono no jardim.





Algumas plantas estão prestes acabar o seu ciclo, é o caso da Houttuynia cordata 'Chameleon' e do Muguet. Outas estão no apogeu da floração, como é o caso dos crisântemos e da ajânia. As árvores de folha caduca perdem as folhas. 

A cerejeira é o caso mais flagrante, mas a nectarina, a pereira e a macieira vão seguir-lhe o exemplo. O diospireiro ainda tem bastantes frutos (é de roer), mas as folhas já estão a cair. Também o medronheiro tem frutos (e flores!).
Os citrinos também estão carregados de frutos, estou a falar da tangerineira e do limoeiro.
O azevinho está fantástico, tem mais frutos do que folhas. O mesmo acontece com vários arbustos cotoneaster, embora alguns destes não percam as folhas.
Nas suculentas são sobretudo os Orostachys que se preparam para hibernarem.
Na horta ainda se colhem algumas alfaces, tomates, pimentas, alho-francês, nabiças, acelgas e beterrabas. Os pimenteiros, tomateiros e pepineiros não têm aguentado as agruras do tempo, com muita chuva e algum frio. 
As couve de penca vão crescendo, já com as folhas já bicadas pelos pardais. As galegas recuperam energias e têm que ser presas para que o vento não as tombe. Têm todas à volta de 2 metros de altura.
Alguns bolbos já estão bem despertos.

sábado, 28 de outubro de 2023

Jardim todo o ano - Outubro

Com o mês de outubro prestes a terminar, ganhei finalmente coragem para escrever algumas linhas sobre a horta/jardim dentro do tema “jardim todo o ano”.
O mais marcante deste mês foi, e é, sem dúvida, a mudança climática, com dias frios e muita chuva, em semanas inteiras. Isto, mais do que novidades, trouxe falta delas, ou por inatividade do jardineiro, ou por fraco desenvolvimento das plantas.
No jardim reinaram as dálias, com os crisântemos a fazerem-lhe concorrência no final do mês. As roseiras não podem ser esquecidas! Com uma manutenção cuidada ao nível do corte das flores mortas, elas mantêm-se em floração durante muitos meses. Curiosamente as rosas ganharam novas colorações e até alteração de formato, desde que o tempo fresco chegou. Às gazânias faltou o sol, embora tenham botões e folhas bonitas. O mesmo aconteceu às Margaridas-do-cabo e às Onze-horas. 
Ao longo do mês a Anémona-do-Japão (Anemone hupehensis ou Eriocapitella hupehensis) foi a novidade. Embora seja só um pequeno pé, deitou mais de uma dúzia de flores. Mereceu muitas fotografias, não só pela novidade, mas também pela beleza das flores. Não houve um dia só que eu não a visitasse. Também a salva-ananás floriu durante este mês. Tal como a salva (normal) é um arbusto que pode atingir um metro de altura, com caules que vão progressivamente ficando lenhosos. Todos os anos a corto rente à terra, mas rebenta, com bastantes hastes e durante o mês de outubro enche-se de flores vermelhas. Dizem que atrai os beija-flores, mas não temos disso em Portugal! O nome salva-abacaxi/ananás vem-lhe do aroma que liberta. Já mastiguei algumas folhas, mas não senti nada de agradável (nem desagradável). Não sou louco, as folhas são comestíveis e têm vários ácidos usados no fabrico de óleos. Também são usadas na medicina tradicional de alguns países (ansiedade e hipertensão). As possibilidades de utilização desta planta são muitas: “A salva ananás é um excelente aromatizante para bolos e doçaria, refrescos, batidos, saladas, gelados e licores. Esta erva aromática também combina com carne de porco, pato e legumes. As flores da salva ananás são comestíveis e combinam em saladas.” O nome científico é Salvia elegans e já tenho ouvido chamar-lhe “salva de jardim”. Há outras salvas, bastante semelhantes (por exemplo Salvia microphylla) que são bastante usadas em jardinagem, nomeadamente em jardins públicos.
O mês de outubro também foi marcado pela aparição de muitas plantas bolbosas, que durante o verão estiveram camufladas: torrões-de-açucar, anêmonas, frésias, esparaxis, tritónias, babianas, ranúnculos, ixias, etc.
Outras plantas alegraram outubro com flores: Argyranthemum, Campanula portenschlagiana, Solanum rantonnetii, Tagetes, Petúnias (sim, resistentes ao frio), Scabiosa, sécias, Antirrhinum e mesmo alguns gerânios. 
Nas árvores de fruto o mês foi de acalmia. As de folha caduca começam agora a perder a folha, mas muito lentamente. O limoeiro deu flores, a tangerineira perdeu alguns frutos, o diospireiro brilhou! Nunca o diospireiro conseguiu levar até ao fim tamanha quantidade de frutos! São tantos que tive medo que os frágeis ramos partissem. A árvore é jovem (cerca de 5 anos) e não chega a dois metros de altura. São diospiros de roer, típicos desta época. Temos comido frutos diariamente mas a maioria ainda está na árvore. Os pássaros cedo os descobriram e também têm aproveitado. Este será um ano memorável em cerejas, nectarinas, maçãs, peras, uvas e diospiros. Ainda é mais surpreendente pelo facto de eu não fazer qualquer tratamento fitossanitário! Este ano nem enxofrei as videiras!
Abati quase todos os pés de fisális. Crescem como “castanheiros” e já estavam a abafar o limoeiro, que até nem é das plantas mais fáceis de vencer. Continuo ter alguns frutos e muitas, muitas flores. Esta é uma espécie que nasce em quantidade em todo o espaço da horta, graças aos frutos verdes que vão parar à compostagem.
Na horta houve poucas novidades. A maioria das culturas entrou no outono como se de verão se tratasse. Tomateiros, beringelas, pimenteiros, pepineiros, acelgas, beterrabas, pimentas, alfaces, tudo parecia estar “na paz do Senhor”! De repente faltou-lhe o sol e apanharam vários encharcamentos, porque a chuva foi muita. É a época das nabiças e das couves de penca. Como a horta estava bonita, sobrou pouco espaço para estas duas culturas. Têm tido alguma dificuldade em se desenvolverem principalmente por causa dos pássaros e das lagartas que gostam das suas tenras folhas. Continuamos a colher tomates, pepinos, pimentos, caldo-verde, … só as alfaces têm faltado, por crescimento insuficiente.
Na horta, este ano, um dos destaques vai para as pimentas (por mim chamadas malaguetas). Semeei 5 variedades e comprei plantas de uma sexta. Tem sido um divertimento, colher, provar e tentar conservar a produção conseguida até agora (ainda estarão a meio da produção). Tenho provado as pimentas à dentada, para arrepio dos restantes membros da casa. Tenho comido os Jalapeno (pimenta carnuda e suculenta) na salada, tal como faço com o tomate, pepino e pimento. São ótimos e o ardor mínimo. Já fiz picles e várias misturas com base em azeite (de produção própria) e algumas plantas aromáticas. A base tem sido a experimentação e começo a ficar preocupado com o próprio entusiasmo. Contatei um amigo, que julguei apenas curioso na matéria, que já me mandou uma lista com 58 pimentas diferentes(!), para ou dizer as sementes que quero para sementeira no próximo ano! Coitadas das suculentas, será que é desta que vão passar para segundo plano?!
Nas aromáticas não há novidades. Algumas produções têm ido para a compostagem, porque, mesmo a secar e guardar, e a distribuir por colegas, amigos e vizinhos, a hortelã, hortelã-pimenta, cidreira, salva, salsa, alecrim e poejos têm sido em excesso.
Não têm sido fácil manter vivos os orégãos que consegui no verão. Tive receio de os plantar no chão e que eles se espalhassem descontroladamente, mas, nem no chão, nem em vaso, estão com grande cara.
O levístico deu grande quantidade de sementes. Espero que não tenha o mesmo comportamento da salsa, que nasce mais do que as ervas daninhas!
Cortei as alfazemas tarde e de forma muito radical. É possível que alguns pés não sobrevivam. Também estou com vontade de cortar o loureiro antes que se forme uma grande árvore. Tenho tentado obter outra planta com estacas, em vaso, mas não tive sucesso até agora.
Durante o mês de outubro foram as suculentas que me deram mais trabalho. Muitos vasos e floreiras já foram “montados” há alguns anos e precisaram de manutenção. Também tive um ataque sem precedentes de larvas. Contrariamente àquilo que é recomendado, uso substrato universal para as suculentas. Inicialmente juntava bastante areia, mas o meu stock já terminou faz tempo. Substratos ricos em matéria orgânica e muita humidade são fatores atrativos para os insetos que fazem as suas posturas nos vasos. O mais provável é tratar-se de gorgulho da videira (Otiorhynchus sulcatus). Já tenho encontrado os insetos adultos, mas o problema está nas larvas que se alimentam das raízes e caules das suculentas até causarem a sua morte. As Echeverias são as que mais sofrem. Comem o caule até ao olho, não havendo possibilidade de salvação, caso não seja detetado quando a planta ainda tem alguns cm de caule.
Podemos “sentir” se as plantas estão saudáveis agarrando-as por uma folha e puxando. Se a planta se liberta do solo e não têm raízes, possivelmente temos esse problema e, no mínimo temos que arrancar tudo e substituir o substrato. Curiosamente não tocam nas raízes das plantas de alguns Géneros botânicos! Nunca tive um problema tão grave como este ano.
Os verões são épocas críticas para os Aeonium. Não gostando nós de os ver ressequidos, temos tendência para os regar, matando-os. Por isso é com satisfação que vemos chegar o outono, pelo menos no que toca a Aeonium. Se sobreviveram, despertam e entram em atividade. O Starburst está quase extinto (com pena minha), mas tenho meia dúzia de espécies novas, que me estão a dar muito entusiasmo. Durante o mês de outubro puseram-se bonitos, não os largo nem um minuto!
Outubro também é o mês das Greenovia. Passei o verão preocupado e aos primeiros sinais de mudança apresso-me a fazer propagação, às vezes usando rosáceas menores do que um grão de milho. Planto Greenovia por todos os vasos e floreiras. Algumas não sobrevivem, mas, por norma elas agarram-se à vida e tornam-se bonitas plantas, tendo um crescimento proporcional ao espaço que lhe destinamos. Eu destino-lhe sempre pouco.
Nas mudanças de substrato sobram sempre plantas. Tenho distribuído mudas no meu local de trabalho, para não aumentar o número de vasos (ou de latas). Fico deprimido quando vejo ir algum rebento para a compostagem, mas dou comigo a catar as folhas de algumas espécies, simplesmente para que não caiam de deem novas plantas. Por exemplo a Graptoveria titubans, se não apanhamos a folhas e as pusermos na compostagem, em pouco tempo ficaremos com centenas e centenas de plantas dessa espécie. 
Alguns dos meus “arranjos” passaram maus bocados durante o verão. Não pela seca, mas porque sempre que saí por alguns dias os encerrei na churrasqueira para que os melros não os desfizessem. Tenho tentado recuperá-los, esperando que o musgo cresça e as plantas ganhem de novo forma agradável.
Por falar em melros, eles continuam a rondar o casa, mas eu já não os deixo dormir no jardim. Alterei os meus hábitos e desde Agosto que me levanto antes do nascer do sol. Já têm feito estragos enquanto vou à casa de banho, ou tiro um café! Já não aprecio o nascer do sol, ou tomo o pequeno-almoço na rua. Já faz frio. Mas tenho conseguido minimizar os estragos, que aconteciam mais frequentemente ao raiar do dia. 
O que nós não fazemos pelas nossas plantas!...

domingo, 31 de outubro de 2021

Jardim todo o ano – Outubro


Na natureza não há saltos. As estações do ano desenvolvem-se progressivamente e não importa se o outono começa a 22 de setembro, tudo é gradual, mais cedo, ou mais tarde comparativamente a outros anos, dependendo de uma série de fatores.
Com a chegada dos dias frescos, principalmente as noites, algumas plantas apreciaram, outras viram acelerar o seu fim. O sol já não sobe tão alto no horizonte, os dias são mais curtos, o crescimento vegetal é mais lento. Não choveu pela Senhora da Assunção. As primeiras chuvas vieram tarde e tiveram pouco significado. Só agora que estamos no final do mês de outubro se começam a sentir alguns sinais de mudança. Ao final da tarde as chaminés já cospem fumo.

Nos últimos tempos têm acontecido várias transformações: os torrões-de-açucar (Ornithogalum thyrsoides) já saíram da terra; os lírios estão em pleno crescimento; as anémonas também já têm muitas folhas, tal como a beladona. Muitos bolbos lançaram os seus rebentos como o muscari, íxia, frésias, estreménias  e os narcisos (silvestres). A tritónia (Tritonia laxifolia), a crocosmia, a íris e os esparáxis já são visíveis. 

No jardim não é muito evidente o outono com a queda da folha. Apenas as roseiras vão perdendo as suas folhas mais baixas, mas estão cheias de rosas. Menos do que no verão, mais maiores e mais vistosas. A poda das flores velhas e a queda de alguma chuva vieram trazer um último folego de vida e elas respondem com rosas incríveis. As mais bonitas rosas são as primeiras e as últimas.
Também sinal do outono é a floração dos crisântemos. Alguns já estão abertos, mas a maioria não. Tivemos que comprar alguns para o Dia dos Fiéis Defuntos. Pela primeira vez tenho Ajania pallasiana em flor. Não é um simples crisântemo. Os crisântemos são cultivados pelas suas flores mas na Ajania (também Chrysanthemum pacificum) o interesse está na folhagem, uma vez que a flor é bastante singela. 

Também com em floração nesta altura está a salva-ananás (Salvia elegans). É um pequeno arbusto, que perde todas as folhas no inverno, mas que renasce na primavera. As suas flores são vermelhas. Dizem que a salva-ananás é um excelente aromatizante para bolos e doçaria, refrescos, batidos, saladas, gelados e licores. Esta erva aromática também combina com carne de porco, pato e legumes. As flores da salva ananás são comestíveis e combinam em saladas. Se fiz uma salada de Sedum, porque não experimentar as flores da salva. Experimentei em salada de frutas e simples. São agradáveis. Não consigo sentir o famoso aroma a ananás, mas o cheiro não é o meu sentido mais apurado.

No mês de outubro não faltam flores no jardim: gerânios, begónias (de flor), margaridas-do-cabo, gazânias, verbenas, cravos-túnicos, bocas-de-lobo, dálias, calêndulas e mesmo os morangueiros, cheios de flores e de frutos. A laranjeira-de-México (Choisya ternata) está cheia de flores. Gosto deste arbusto, de flores brancas e aroma a laranja. Mesmo as onze-horas (Portulaca grandiflora) estão cheias de flores, mas a força do sol já não é suficiente para elas abrirem.

As fruteiras estão em diferentes estádios. Os diospiros (de roer) estão a ganhar cor. Na macieira, já com a folha a cair, persistem algumas maçãs. Pensei nas aves e elas não se fizeram rogadas. Têm feito um festim à base de Golden delicious. O alperceiro (não sei se a palavra existe) e a cerejeira já estão a perder a folha. A tangerineira e o limoeiro têm frutos.

Na horta ainda não se nota o outono. Continuo a ter tomates, pimentos, malaguetas, alfaces, cenouras, brócolos, alho-francês, acelgas, rúcula e belas couve galegas. As alfaces mal crescem e os tomates têm dificuldade em amadurecer, mas vão aguentar-se até que o frio os queime. O mesmo vai acontecer aos physalis. As couves de penca e as nabiças estão no início do desenvolvimento. A falta de chuva atrasou-me com essas duas culturas.

No que toca às suculentas este tempo tem-lhes sido favorável. O verão aqui é muito quente e os dias mais frescos deixaram-nas desenvolver um pouco mais. Os Aeonium acordaram e já cresceram bastante. Dediquei alguma atenção às Greenovia. São das milhas suculentas preferidas e todos os anos por esta altura faço a replantação. Alguns Sedum e Orostachys estão a preparar-se para hibernarem. Também eu começo a olhar com preocupação para as dezenas de vasos, taças e floreiras a pensar onde os vou encaixar para proteger as suculentas do inverno.

Decidi não semear favas, nem ervilhas, a minha próxima plantação serão os alhos.
Das sementes caídas durante o verão nasceram muitas gazânias, cravos-dos-poetas, amores-perfeitos e esporas. Vou procurar um espacinho para onde as possa transplantar.

Com as chuvas de ontem e hoje muita coisa vai mudar. Novembro será certamente diferente, mas espero que seja igualmente desafiante. As plantas não conhecem os meses, mas o fotoperíodo é o seu relógio e esperam-se cada vez dias mais curtos.