sábado, 30 de setembro de 2023

Jardim todo o ano - Setembro

As chuvas que caíram no fim de agosto e no início de setembro vieram despertar o aprendiz de jardineiro, que passou o mês de agosto em compasso de espera, combatendo o calor, com a água possível.
Como já disse anteriormente, aqui o calendário é marcado pelas festas da Senhora da Assunção, uma das maiores romarias da região, que acontece a 15 de agosto. Normalmente coincide com a altura das primeiras chuvas que precipitam a lavra dos campos, a sementeira das nabiças, a plantação das couves tronchudas, etc. Não choveu na Senhora da Assunção, mas choveu no final do mês e o efeito foi o mesmo, mudanças na hortas, nos campos e nas plantas do jardim.
Os tomateiros que comprei, coração de boi, ficaram atrofiados. Valeu-me os tomateiros que nasceram em quantidade, de forma espontânea, por toda a horta. Fruto de cruzamentos são pequenos, mas em quantidade, o que fez com que este fruto não tenha faltado. Também não têm faltado pimentos, grandes e bonitos. A trovoada tombou alguns pés, porque são muito altos e têm muito peso dos frutos. Courgettes não vi nenhum, de 3 pés que plantei, mas em contrapartida os pepinos são em quantidade. Cada vez apreciamos mais os pepinos. Dos repolhos já poucos restam. Algumas couves roxas, de que gostamos na salada. Estão quase a terminar as cenouras. Houve uma boa produção.
Este ano inovei nas malaguetas/pimentas. Já vos contei da “vergonha” que passei num Grupo sobre pimentas, quando cheguei à conclusão que não sabia nada da “poda”. Comprei alguns pés de malagueta e semeei mais 5 qualidades de pimentas que tenho espalhadas por tudo quanto é sítio, desde a horta, aos vasos de suculentas, passando pela churrasqueira. Já comecei a colheita e já fiz um frasco de molho “à minha moda”. No dia seguinte o azeite já picava! Noutra altura darei notícia da evolução das pimentas.
Já plantei as couves de penca. Poucas, porque couves não é coisa que me agrade no prato. Sou mais amante das leguminosas, mas há sempre grandes couves galegas que chegam a vários metros de altura. Uma feijoada à transmontana tem que ter couve galega.

As aromáticas estão muito frescas e crescidas. No jardim serrei um alecrim grande porque o canteiro já parecia uma floresta. Também serrei parte do maçaroco da Madeira. Estava gigantesco e nunca me deu flores. Cortei as alfazemas.
Para não deixar estragar, cortámos o levístico, coentros, poejos, manjericão e várias variedades de tomilho para secar e triturar (tarefa da esposa). Não necessitamos, porque temos quase tudo em fresco, mesmo ao lado da cozinha, mas é para não deixar estragar.
Plantei orégãos, que arranquei num relvado na cidade de Orense. 🙂
Na horta há ainda acelgas, rúcula, alfaces, alho-francês, espinafres, muitas beterrabas, fisális,…
Também nasceram de forma espontânea alguns pés de melancia. Os frutos estão grandes, mas temos dificuldade em saber quando estão prontos para colher.
No que toca às suculentas, são já bem visíveis a mudanças. Embora atribuamos muitas vezes estas mudanças às alterações de temperatura, ou de humidade, as plantas são muito mais sensíveis às mudanças da duração do dia. O fotoperíodo (tempo de luz) é o calendário das plantas. Tenho-me levantado todos os dias antes do sol nascer (para guardar as suculentas dos melros) e noto alterações de dia para dia. Os dias são muito mais curtos e o sol “descreve um arco” cada vez mais baixo.
Muitas suculentas sofreram efeitos do granizo. A destruição não foi grande, mas é notória, principalmente nas Echeveria. Os Aeonium despertaram e em breve vão voltar a ser estrelas.
Alguns bolbos também já despertaram! Os primeiros foram os muscari mas agora já noto rebentos de açucena, frésias, tritónias, anémonas e até beijinhos-de-mãe.
Quanto a flores, não há muita quantidade, mas há alguma variedade. Estão em força as sécias; ainda reinam as onze-horas; há gazânias em flor, mas tenho-as cortado para que renovem. As roseiras nunca param de dar flores. Faço poda constante desde a primeira floração, o que provoca rebentamentos e novas florações. Estão carregadas de botões. As dálias também estão em plena floração.
Floriu uma planta nova no jardim. Trata-se de uma anémona-do-japão. A planta já me foi dada há alguns anos e pensei que tinha morrido. Só me apercebi dela quando vi uma haste floral que cresceu até perto de 80 cm de altura.
Nas fruteiras, o diospireiro tem perdido muitos frutos, mas ainda tem uma quantidade aceitável. Espero que os mantenha. Estão boas para apanhar as maçãs Golden. A macieira tinha demasiadas e não cresceram muito, mas são extremamente doces e sumarentas. Até agora só temos apanhado as que caem ao chão. Os canários também gostam de maçãs (e de couves!). Gasto todas as manhãs 3 maçãs, colocando um “gomo” em cada gaiola.
Como próximas tarefas: semear algumas nabiças. Quer os grelos, quer os espigos são importantes na dieta a que estamos habituados. Quando o frio vier, uma alheira assada nas brasas, num prato de batatas cozidas e grelos é um dos nossos pratos mais tradicionais.
Também há uma tarefa que nunca acaba, ... renovar o substrato nalguns vasos das suculentas. Todos os anos há ataques de larvas, que comem as raízes das suculentas. Tenho algumas floreiras com esse problema.

terça-feira, 18 de julho de 2023

Scabiosa

A Scabiosa também merece atenção, pelo menos um dia no ano. Está em flor e acho-lhe muita graça. Gosto de fotografar as flores antes de abrirem, têm uma forma muito geométrica. Só tenho esta cor, mas imagino como devem ser bonitas as azuis, roxas ou púrpura...

Tenho a mesma planta há vários anos e nunca nasceu nenhuma outra! Mas produz muita semente! Limpo a planta e ela rebenta de novo, mas tenho medo que se "apague" e fique sem nenhuma.
A Scabiosa mais conhecida é a Scabiosa Stellata, mas eu não tenho nem nunca vi ao vivo. Também não se pode ter tudo.
Agradeço à D. Fernanda, de Vila do Conde, que me arranjou esta espécie.

segunda-feira, 17 de julho de 2023

Echinacea purpurea

A equinácea é uma planta medicinal, mas independentemente disso é uma planta de flores muito bonitas. 

Tenho apenas uma cor, mas há várias, entre as quais vermelhas.

Já me têm pedido as plantas para fins medicinais, mas eu apenas as uso como plantas de jardim ou como flores secas (têm um bonito cone). Estão nesta altura em flor.

Encontrei-as por acaso numa visita ao Lidl, há alguns anos atrás. No inverno desaparece totalmente.

domingo, 16 de julho de 2023

Coreópsis

Não tenho visto Coreópsis no Grupo Aprendiz de Jardineiro! Estas plantas entram no grupo daquelas que são autossuficientes, são perenes e são bonitas. 

Necessitam de pouquíssimos cuidados e dão flores durante muito tempo. É uma das espécies que só conheci quando chegou, misturada com mais umas dezenas, numa enorme caixa de cartão. Logo nesse ano floriram e já completam 3 anos comigo. Faço a reprodução por estacas, mesmo sem raiz, quando o tempo está fresco. 

Podem ter alguma dificuldade em prender, mas, por norma, resulta. Tratando-se de uma Asteracea seria de esperar que se reproduzisse facilmente por sementes, mas aqui, não acontece. Não admira. A terra do meu jardim há 6 anos que não é cavada (não há hipótese). Por isso muitas plantas não se reproduzem bem por sementes de forma autónoma.

Como podem ver pelas fotografias há plantas de flores simples e plantas de flores dobradas. Só tenho visto amarelos, mas há com uma auréola central vermelha, ou completamente vermelha (se alguém tem, agradeço que mostre).

Quem tem uma área razoável de jardim, é uma das espécies que pode procurar. Penso que não se irão arrepender.

Sedeveria Green Rose

 Hoje recordo-vos da Sedeveria Green Rose. É uma planta muito pouco conhecido. Havia três ou quatro membros do Grupo Suculentas-Portugal que a tinham e eu acabei por ganhar uma muda. 

Tem o formato que eu gosto e no que toca à cor varia muito. Com o frio fica rose, quase roxa, mas no verão fica verde até com tendência para o amarelo. É uma planta que giro esta espécie com alguma cautela. 

Ela por vezes perde-se na floração. Já tenho enviado algumas mudas (poucas), mas nunca recebi feedback.

sábado, 15 de julho de 2023

O Aeonium que só queria florir

Tenho aqui estas fotografias guardadas para vos contar uma "história", já há bastante tempo, mas como ela não se escreve sozinha, lá terá que ser. Se tivesse que escrever um título ele seria "O Aeonium que só queria florir".
Todos sabem dos perigos que tem a floração dos Aeonium. Quando florescem todas as rosáceas, é complicado, quase sempre significa um adeus definitivo.
Tratou-se de um Aeonium Mardi Gras, o primeiro que tive, comprado à Felisberta Marques e criado com muito carinho. Depois de alguns anos comigo notei que as rosáceas estavam a dar origem a folhas mais curtas e compactas. A desconfiança chegou a certeza pouco tempo depois, ambas as rosáceas preparavam-se para florir.
Tenho ouvido falar em soluções de sucesso, mas são casos esporádicos, tão pontuais que não sabemos se resultam do saber, se da sorte, se da providência divina. Estou a falar da reprodução por folha e da decapitação. A reprodução por folha é possível com Aeonium, eu próprio já tive casos de sucesso, mas em espécies de folhas mais suculentas e/ou lenhosas. Coloquei esta opção imediatamente de lado. Restou-me a decapitação.
Como tenho alguma formação em Ciências Naturais, decidi misturar a necessidade com ou pouco de método experimental. Foram decapitadas as duas rosáceas, mas uma deixando algumas folhas e outra sem folhas (ambas estavam na mesma planta). Uma das rosáceas cortadas foi plantada num vaso, outra foi decapitada de novo ficando a posterior, com algumas folhas, e a superior com o centro da rosácea. A parte posterior foi plantada num vaso, a extremidade foi colocada em copo com água. Fiquei, assim, com 5 variações do mesmo Aeonium. Seria muito mau se nenhuma tivesse sucesso!
1 - Planta original, decapitada, sem folhas;
2 - Planta original, decapitada, com folhas;
3 - Rosácea decapitada, plantada num vaso;
4 - Rosácea decapitada, em água;
5 - Troço do caule, com folhas, plantado em vaso.
Ainda está a ler? 😁 Gosta muito de suculentas ou já teria posto um like e passado à frente.
Só restava esperar... Nenhuma das amostras morreu! Todas continuaram a crescer, com exceção de uma (qual?). O meu entusiasmo crescia com elas.
Adianto já... amostra que nunca cresceu foi o tronco da decapitação que foi deixado sem folhas. Mesmo agora não está morto, mas não estou à espera de alterações com o calor que faz.
Acho que está a torcer pelo sucesso da amostra 2, caule original que foi deixado com folhas. Começou a ganhar um bom conjunto de rebentos e eu iria ter mais de meia dúzia de rosetas. À medida que cresciam o meu entusiasmo foi diminuindo. Estava claro que eram flores. Deixei a floração seguir o seu rumo, não havia mais nada a fazer. Quando a floração terminou cortei as flores, nova decapitação, mas novas flores surgiram. Fiz uma decapitação mais radical, por baixo das folhas e a planta deixou de florir, mas não morreu, nem lançou novas folhas.
Ainda me restavam mais três hipóteses de sucesso. Tratei estas amostras com mais cuidado, não as expondo demasiado ao sol. Todas continuavam a crescer, embora algo estioladas, mas a esperança mantinha-se; a falta de sol poderia inibir a floração.
Com o tempo fui perdendo a esperança. Como habitualmente faço, comecei a aproveitar os vasos para plantar outras espécies. Quando uma plantação me oferece poucas hipóteses de sucesso, aproveito para plantar outras amostras em redor. Não é falta de valorização, é uma necessidade de quem luta constantemente com falta de espaço.
Abreviando. Ambas as amostras plantadas em vaso (pedaço de caule e rosácea do Aeonium) floriram. Como estavam à sombra, a floração foi fraca.
A 5.ª e última amostra encontrava-se em água. Não morreu, mas num milagre que só a natureza consegue... floriu também!
A natureza seguiu o seu caminho. Eu repito muitas vezes, "as plantas não sabem que nós existimos". Não podemos pensar a sua vida colocando-nos no centro. São elas que estão no centro e esta só queria florir. É a sua forma de dar continuidade à espécie.
Não fiquei triste. Confirmei o que esperava, apesar de desejar o contrário. A mesma planta já me tilha dado muitas mudas, algumas das quais estão espalhadas por amigos pelo país.
Faltou testar a utilização das sementes. Sei que é possível, mas é um processo muito demorado, mesmo para quem é paciente.
Paciente também é quem leu esta "história" até ao fim. Se este foi o seu caso e se lhe apetecer escrever um comentário, acrescente "eu li" ao seu comentário. Revivi meses do meu Aeonium ao escrever estas linhas. Já valeu a pena.
Nota: O Aeunium ainda está no vaso, sem folhas, mas está vivo. Será que em setembro vai rebentar?!!!

sexta-feira, 26 de maio de 2023

Jarro - Zantedeschia aethiopica

 Mesmo as espécies mais humildes merecem uma publicação de vez em quando. Não temos uma relação muito amistosa, ando sempre a arrancar-lhe as raízes mas ele é resiliente e quer tomar sempre mais terreno. É muito difícil de erradicar.

A dona da casa parece gostar dele(ou não). Anda constantemente a cortar-lhe as flores. 🙂

Zantedeschia aethiopica é uma espécie de planta com flor pertencente à família Araceae. A espécie é amplamente utilizada como planta ornamental e para produção de flores de corte, sendo conhecida pelos nomes comuns de copo-de-leite ou jarro ou boca-de-jarro. Wikipédia